I
Chego ao último dia de um mês com júris, júris e júris e burocracia, burocracia , burocracia e burocracia. Mesmo assim o que conforta são as aulas, aulas, aulas, aulas. O dia 31 de Março não foi diferente.
09.00-12.00 : aulas (prep.)
14.30-15.30 : aulas (HPC-II)
16.00-20.00: tutoria de teses de mestrado e seminários
II
Li ontem que um grupo de colegas visionou a série produzida por J. Furtado sobre a Guerra Colonial (que comentei aqui em tempos) e que recomendou que a mesma fosse usada no ensino nas escolas. Acho uma proposta positiva , útil e mesmo indispensável. O documentário, fazendo um uso inteligente do método cruzado , é intelectualmente honesto e proporciona um nível elevado de informação que se coaduna com o paradigma actual do conhecimento histórico. Esta perspectiva consolida-se à medida que se repete o visionamento das peças e que somos capazes de cruzar informação com os conhecimentos e experiências de origem diversa. Mas também acho que é necessário preparar os docentes para lidar com este tema e as possibilidades de exploração e dificuldades que encerra.
HAF
Editorial
Um amigo muito estimado tem uma “FlorBela” , a poetisa, sentada à janela do mundo. A peça é de Pedro Fazenda e hoje permite à poetisa, a partir da Quinta de Santa Rita, um olhar eterno sobre o lado este da cidade de Évora. Todavia ela nem sempre esteve ali. Conheci-a na cidade, no Pátio de S. Miguel , quase debruçada sobre o velho Colégio Espírito Santo (actual “centro” da Universidade de Évora) e com um horizonte que dos “coutos “ orientais da cidade se prolongava, nos dias verdadeiramente transparentes , até Évora-Monte . Mas as coisas da vida são como se fazem. Depois de um par de anos vendo o mundo a partir da cidade , e de mais alguns por outras andanças e paragens, Florbela sentou-se definitivamente para observar a cidade. E lá a encontrará nos anos vindouros quem a souber procurar. À janela, de onde a poetisa gostava de apreciar se não o Mundo, pelo menos o Mar (“Da Minha Janela”, 1923).
À janela do mundo me coloco também para observar e comentar as múltiplas cidades que me interessam, os seus actores e instituições. Sem uma agenda definida. Pelo simples prazer de dar palavras a ideias quando tal me apetecer. Um exercício de liberdade e cidadania.
DiáriodeumaCatedraaJanela é um blog de autor, um espaço de opinião aberto a todas as dimensões que se inscrevem na minha identidade . A de um autor com experiência e memória de mais de meio século partilhadas entre África e Europa, Casado (há quase 30 anos), Pai (de três filhos), Livre Pensador, Cidadão (Português e Europeu) , Professor (Catedrático) e Historiador . O Diário passará por tudo isto, mas com o carácter de “conta-corrente”, só mesmo a vida académica, que no momento em que este editorial foi escrito de(le)itava-se em mais uma falsas férias.
Não me coloco ao abrigo de uma atalaia. Pretendo também ser observado, expondo o meu dia a dia profissional. É uma forma de ajudar a superar a miserável (manipulação da ) ignorância do “povo” e proporcionar a possibilidade de contrapôr experiências à retórica e oportunismo mediáticos de muitos observadores e políticos pouco criteriosos. Os cidadãos podem conhecer de perto o que nós (professores universitários com carreira universitária) fazemos pelo país, o modo como o fazemos e o que pensamos sobre o modo como podemos fazer ainda mais e melhor.
A começar a 1 de Setembro. Não por ser o dia dedicado pela Igreja Católica à bela “Santa Beatriz da Silva Menezes, Virgem “ (1490-c 1550). Não por constituir efeméride da invasão da Polónia pela Alemanha (1939), da Conferência de Belgrado (1961) ou da tomada do poder por Muammar al-Qaddafi (1969). Não também pelo comemorativo propósito dos dias do Caixeiro Viajante ou do Professor de Educação Física. Nem sequer por marcar o nascimento de António Lobo Antunes (1942), o autor das extraordinárias “D´este viver aqui neste papel descripto. Cartas da Guerra” (1971-1972) , cuja edição as filhas organizaram (2005) , ou de Allen Weinstein (1937), prestigiado historiador americano e actual “Archivist of the United States “. Nada disso. Também não é por corresponder ao 9802º dia da minha actividade como professor universitário, cujo início data de 30 de Outubro de 1980, quatro meses após a conclusão da licenciatura e uma disputa em concurso público limpinho. Apenas porque me fica mais em conta.
Vamos lá tentar fazer disto um mundo aberto.
Burgau, 15 de Agosto de 2007
Helder Adegar Fonseca (HAF)
À janela do mundo me coloco também para observar e comentar as múltiplas cidades que me interessam, os seus actores e instituições. Sem uma agenda definida. Pelo simples prazer de dar palavras a ideias quando tal me apetecer. Um exercício de liberdade e cidadania.
DiáriodeumaCatedraaJanela é um blog de autor, um espaço de opinião aberto a todas as dimensões que se inscrevem na minha identidade . A de um autor com experiência e memória de mais de meio século partilhadas entre África e Europa, Casado (há quase 30 anos), Pai (de três filhos), Livre Pensador, Cidadão (Português e Europeu) , Professor (Catedrático) e Historiador . O Diário passará por tudo isto, mas com o carácter de “conta-corrente”, só mesmo a vida académica, que no momento em que este editorial foi escrito de(le)itava-se em mais uma falsas férias.
Não me coloco ao abrigo de uma atalaia. Pretendo também ser observado, expondo o meu dia a dia profissional. É uma forma de ajudar a superar a miserável (manipulação da ) ignorância do “povo” e proporcionar a possibilidade de contrapôr experiências à retórica e oportunismo mediáticos de muitos observadores e políticos pouco criteriosos. Os cidadãos podem conhecer de perto o que nós (professores universitários com carreira universitária) fazemos pelo país, o modo como o fazemos e o que pensamos sobre o modo como podemos fazer ainda mais e melhor.
A começar a 1 de Setembro. Não por ser o dia dedicado pela Igreja Católica à bela “Santa Beatriz da Silva Menezes, Virgem “ (1490-c 1550). Não por constituir efeméride da invasão da Polónia pela Alemanha (1939), da Conferência de Belgrado (1961) ou da tomada do poder por Muammar al-Qaddafi (1969). Não também pelo comemorativo propósito dos dias do Caixeiro Viajante ou do Professor de Educação Física. Nem sequer por marcar o nascimento de António Lobo Antunes (1942), o autor das extraordinárias “D´este viver aqui neste papel descripto. Cartas da Guerra” (1971-1972) , cuja edição as filhas organizaram (2005) , ou de Allen Weinstein (1937), prestigiado historiador americano e actual “Archivist of the United States “. Nada disso. Também não é por corresponder ao 9802º dia da minha actividade como professor universitário, cujo início data de 30 de Outubro de 1980, quatro meses após a conclusão da licenciatura e uma disputa em concurso público limpinho. Apenas porque me fica mais em conta.
Vamos lá tentar fazer disto um mundo aberto.
Burgau, 15 de Agosto de 2007
Helder Adegar Fonseca (HAF)
segunda-feira, março 31
domingo, março 30
10009º Dia
I
A não-escrita em prol de uma mudança radical na docência no Ensino Superior … Foi mais um dia totalmente dedicado a tão modesta mas relevante causa. Não volto a “ensinar” História de Portugal sem um inclusivo quadro comparativo.
II
No Público de ontem tornou-se difícil ler “O Delito de opinão: as “mentiras” , titulo da coluna de José Pacheco Pereira, atormentado que anda com a questão iraquiana e com o apoio que desde o início expressou pela invasão americana. O argumento das boas e más mentiras que fazem parte da vida dos governos e que até não se amplicam ao caso em discussão porque “não houve mentiras porqwue Bush e Blair estavam convencidos de que as armas de destruição maciça existiam no Iraque , como também estavam Chirac, Putin e o Estado maior Iraquiano “. No mesmo nº do jornal Francisco da Mota em “Um erro Histórico”, escreve: “sabe-se , hoje, em dia, de forma clara e inequívoca , o modo como foram forjadas estas mentiras , como as informações das Nações Unidas, de organizações internacionais ou dos próprios serviços secretos norte-americanos e ingleses que contrariavam os interesses “pró-invasão” foram sistematicamente desprezadas, tendo os serviços de informação priveligiado informação pouco credível ou mesmo absolutamente descartável em desfavor das informações que afastavam a existência das armas de destruição maciça ou as ligações do Iraque á Al-Qaeda. Sabe-se, hoje em dia, que BUSH E a sua entourage neoconservadora já tinham a guerra como certa muito meses antes do seu início “.
Pacheco Pereira assina as crónicas como “Historiador” . E isso trouxe-me á memória um livro que li há uns anos . Trata-se de “ The Social Responsability of the Historian” editado por François Bédarida (in Diogenes, Vol. 42, nº 168, 1994) e dedicado à as responsabilidades sociais , morais e éticas do historiador profissional. Na introdução , Bédarida (1926-2001) - reputado Contemporanista, fundador e Director Institut d’histoire du Temps présent (1979-1990) e Secretário Geral International Committee of Historical Sciences (1990-…), e autor de uma magnifica biografia de Churchill - escreveu a dado passo: “It is for these reasons [por o historiador ser para o público um mdiador entre o presente e passado , incluindo o passado recente] that the responsability exercised by the historian in his own proper sphere is based on two conditions. There is first of all independence, be it political or intellectual, social or financial; this is the exigency of liberty. Second, there is the scrupulous and meticulous respect of the canons of the discipline; this is the exigency of truthfulness”. [Historcal Practice and Responsability”, pp. 1-6]. Um tema que gostaria de poder aqui dedicar mais uma slinhas. mas não posso. Seja como for o que me parece cada vez mais claro é que o problema do Pacheco Pereira é , no caso presente, a mentira de tanto ser repetida não se tornando verdade….O que também só é verdade enquanto o historiador não tiver condições ou oportunidad de a re-visitar.
HAF
A não-escrita em prol de uma mudança radical na docência no Ensino Superior … Foi mais um dia totalmente dedicado a tão modesta mas relevante causa. Não volto a “ensinar” História de Portugal sem um inclusivo quadro comparativo.
II
No Público de ontem tornou-se difícil ler “O Delito de opinão: as “mentiras” , titulo da coluna de José Pacheco Pereira, atormentado que anda com a questão iraquiana e com o apoio que desde o início expressou pela invasão americana. O argumento das boas e más mentiras que fazem parte da vida dos governos e que até não se amplicam ao caso em discussão porque “não houve mentiras porqwue Bush e Blair estavam convencidos de que as armas de destruição maciça existiam no Iraque , como também estavam Chirac, Putin e o Estado maior Iraquiano “. No mesmo nº do jornal Francisco da Mota em “Um erro Histórico”, escreve: “sabe-se , hoje, em dia, de forma clara e inequívoca , o modo como foram forjadas estas mentiras , como as informações das Nações Unidas, de organizações internacionais ou dos próprios serviços secretos norte-americanos e ingleses que contrariavam os interesses “pró-invasão” foram sistematicamente desprezadas, tendo os serviços de informação priveligiado informação pouco credível ou mesmo absolutamente descartável em desfavor das informações que afastavam a existência das armas de destruição maciça ou as ligações do Iraque á Al-Qaeda. Sabe-se, hoje em dia, que BUSH E a sua entourage neoconservadora já tinham a guerra como certa muito meses antes do seu início “.
Pacheco Pereira assina as crónicas como “Historiador” . E isso trouxe-me á memória um livro que li há uns anos . Trata-se de “ The Social Responsability of the Historian” editado por François Bédarida (in Diogenes, Vol. 42, nº 168, 1994) e dedicado à as responsabilidades sociais , morais e éticas do historiador profissional. Na introdução , Bédarida (1926-2001) - reputado Contemporanista, fundador e Director Institut d’histoire du Temps présent (1979-1990) e Secretário Geral International Committee of Historical Sciences (1990-…), e autor de uma magnifica biografia de Churchill - escreveu a dado passo: “It is for these reasons [por o historiador ser para o público um mdiador entre o presente e passado , incluindo o passado recente] that the responsability exercised by the historian in his own proper sphere is based on two conditions. There is first of all independence, be it political or intellectual, social or financial; this is the exigency of liberty. Second, there is the scrupulous and meticulous respect of the canons of the discipline; this is the exigency of truthfulness”. [Historcal Practice and Responsability”, pp. 1-6]. Um tema que gostaria de poder aqui dedicar mais uma slinhas. mas não posso. Seja como for o que me parece cada vez mais claro é que o problema do Pacheco Pereira é , no caso presente, a mentira de tanto ser repetida não se tornando verdade….O que também só é verdade enquanto o historiador não tiver condições ou oportunidad de a re-visitar.
HAF
sábado, março 29
10008º Dia
ELTIS David (ed.): Coerced and Free Migration: Global Perspectives. Stanford University Press Stanford, CA. , 2002
David Eltis é Robert W. Woodruff Professor of History na Emory University. Tem dedicado a sua investigação ao “early modern Atlantic World”, ao comércio transatlântico de escravos e à migrações forçadas e livres também no grande “lago” atlântico . É o autor de Economic Growth and The Ending of the Transatlantic Slave Trade [New York, Oxford Univ. Press, 1987 ; British Trevor Reese Memorial Prize] e The Rise of African Slavery in the Americas [New York, Cambridge University Press, 2000: Frederick Douglass Prize; John Ben Snow Prize e Wesley-Logan Prize] Editor do magnífico livro “Coerced and Free Migration: Global Perspectives” a que hoje dediquei o dia e do qual destaco , além do contributo de D. Altis [ “Introduction: Migration and Agency in Global History pp. 1-34 e “Free and Coerced Migrations from the Old World to The New, pp. 34-74] e magnifico capítulo de David Moon [Peasant Migration, the Abolition of Serfdom, and
the Internal Passport System in the Russian Empire, c. 1800–1914 , pp. 324-371]
HAF
David Eltis é Robert W. Woodruff Professor of History na Emory University. Tem dedicado a sua investigação ao “early modern Atlantic World”, ao comércio transatlântico de escravos e à migrações forçadas e livres também no grande “lago” atlântico . É o autor de Economic Growth and The Ending of the Transatlantic Slave Trade [New York, Oxford Univ. Press, 1987 ; British Trevor Reese Memorial Prize] e The Rise of African Slavery in the Americas [New York, Cambridge University Press, 2000: Frederick Douglass Prize; John Ben Snow Prize e Wesley-Logan Prize] Editor do magnífico livro “Coerced and Free Migration: Global Perspectives” a que hoje dediquei o dia e do qual destaco , além do contributo de D. Altis [ “Introduction: Migration and Agency in Global History pp. 1-34 e “Free and Coerced Migrations from the Old World to The New, pp. 34-74] e magnifico capítulo de David Moon [Peasant Migration, the Abolition of Serfdom, and
the Internal Passport System in the Russian Empire, c. 1800–1914 , pp. 324-371]
HAF
sexta-feira, março 28
10007º Dia
08.30-12.00: Cálculo dos custos do programa de 2º Ciclo MEHE, serviço docente 2008-09 e outras burocracias.
14.00-15.00: Lançamento de notas MEHE e outra burocracia
15.00-17.00: Recepção de mestranda: tese de mestrado sobre a Escola Médico Cirurgica do Funchal (perspectiva comparada )
17.00-20.00: MEHE / Seminário HCTN-Desenho de Tese
21.0o- 22.00: correspondencia electrónica em dia enquanto Click despertava alguma emoção na criança cá da casa.
E o resto do mundo passa-me praticamente ao lado…. paciência. Mas o IVA lá caíu. Daqui a dois ou três meses o aumento dos preços mostra que tal facto beneficou os do costume, apesar dos apelos à ética empresarial.
HAF
14.00-15.00: Lançamento de notas MEHE e outra burocracia
15.00-17.00: Recepção de mestranda: tese de mestrado sobre a Escola Médico Cirurgica do Funchal (perspectiva comparada )
17.00-20.00: MEHE / Seminário HCTN-Desenho de Tese
21.0o- 22.00: correspondencia electrónica em dia enquanto Click despertava alguma emoção na criança cá da casa.
E o resto do mundo passa-me praticamente ao lado…. paciência. Mas o IVA lá caíu. Daqui a dois ou três meses o aumento dos preços mostra que tal facto beneficou os do costume, apesar dos apelos à ética empresarial.
HAF
10006º Dia
06.45-08.30: Uma manhã fria , a caminho de Lisboa.
09.00: 10.15: uma reunião e mais uma jovem investigadora na rede EuroSubMigration com um projecto muito interessante sobre organizações clandestinas de transporte de emigrantes
10.30-14.00: reunião do projecto. Dicionário de História da 1ª República e do Republicanismo
14.20-16.10: regresso “atribulado” a Évora
17.00-20.00: ensaio do cálculo dos custos do programa de 2º Ciclo MEHE
HAF
09.00: 10.15: uma reunião e mais uma jovem investigadora na rede EuroSubMigration com um projecto muito interessante sobre organizações clandestinas de transporte de emigrantes
10.30-14.00: reunião do projecto. Dicionário de História da 1ª República e do Republicanismo
14.20-16.10: regresso “atribulado” a Évora
17.00-20.00: ensaio do cálculo dos custos do programa de 2º Ciclo MEHE
HAF
quarta-feira, março 26
10005º Dia
I
08.30-11.00: Revisão do material e preparação da reunião da equipa do projecto Dic. Hist. 1ª República e do Republicanismo (dia 27/03. IHC/FCSH.UNL
11.00- 16.30: preparação de materiais e Lição de abertura de HCTN-EXP.INV.
17.30-20.oo: Lição de Abertura de HCTN-Exp.Inv
II
Arend Lijphart: Electoral Systems and Party Systems: A Study of Twenty-Seven Democracies, 1945-1990, Oxford University Press,1995
HAF
08.30-11.00: Revisão do material e preparação da reunião da equipa do projecto Dic. Hist. 1ª República e do Republicanismo (dia 27/03. IHC/FCSH.UNL
11.00- 16.30: preparação de materiais e Lição de abertura de HCTN-EXP.INV.
17.30-20.oo: Lição de Abertura de HCTN-Exp.Inv
II
Arend Lijphart: Electoral Systems and Party Systems: A Study of Twenty-Seven Democracies, 1945-1990, Oxford University Press,1995
HAF
terça-feira, março 25
10004º Dia
I
O “regresso” às aulas (15.30-17.30) e às reuniões de tutoria (17.30-19.00). A manhã ficou reservada a mais burocracia : a FCT , que actua com um baixo nível de responsabilidade (vejam-se os sem-cumprimentos-de-prazos para todos os concursos e avaliações……uma eternidade sem qualquer escrutínio/justiticação) e sobre a qual se começam a ouvir com mais insistência dúvidas sobre procedimentos, reforça a sua burocracia de uma forma inaceitável. O pedido de um atestado /certificado de que esteve num dado congresso a apresentar uma comunicação para o qual o investigador com meses de antecipação pagou uma inscrição que ronda os 250 euros …estende aos investigadores cordenadores de projectos de investigação o anátema que não há muito tempo cobria todos os alunos (compo potenciais adeptos da fraude, pelo que , em exame deveriam ir ao wc acompanhados de um docente /vigilante). Não basta ter antecipado em meses todas as despesas com inscrição e alojamento, bem documentada por documentação electrónica das organizações (ISIG /APHES) , enviar (no caso) cópias dos papers apresentados, ter candidatado e organizado a sessão etc, etc. É ainda necessário uma declaração da organização a confirmar que o investigador esteve mesmo já. Enfim um exemplo de “complicadex”. E estou de acordo: na era das “grandes avenidas” persiste a velha tradição do “papelinho” para o Sr Dr. Nem mais…..já tomei as providências e os papelinhos já devem estar a caminho ( o colega holandês reagiu cum um “smile”: ele(s) conhecem-nos…)
II
Na crónica do dia a Helena Matos (Público) relembra o caso Carlos Cupeto, um colega da Universidade de Évora que durante meses foi maltratado e agredido por um aluno e seus familiares. E fez bem em regressar a este caso. Gostava de lhe responder Helena, dizendo que o mesmo ficou resolvido e bem resolvido penalizando Académica e/ou Civilmente os agressores. Mas desconheço a resposta e é provável que muito poucos a conheçam nesta Universidade.
Mas o assunto principal da crónica da jornalista é a questão iraquiana e as virtudes a prazo da solução modernizadora de inspiração Rostowiana em curso (a da importação da modernidade “civilizada”, claro) . Nesta matéria a divergência começa com a estratégia, os argumentos e o processo. É obvio que o resto (do desacordo) se torna uma consequência. E devo confessar ter uma vantagem: não sou dos que durmo com fantasmas….mesmo os mais radiosos. Mas que o Iarque foi um inaceitável atrevimento imperial foi. E não há impéros bons nem maus. Há só impérios. O cemitério da História está cheio deles, e duvido que já esteja lotado.
III
Há uns anos um ministro teve a ideia de vender as receitas ou dívidas do Estado a um Banco. Lembra-se agora de contratar jovens advogados a tratar dos milhares de processos de violação de regras de trânsito através do sistema do “paiement à la pièce” (piece contract system). Sugiro um completo regresso à economia pública do Ancien Regime, com os arrendatários das rendas do Estado e as experiências do trabalho proto-industrial. E não comento a tabela de preços: um euro e pouco cada processo! Imagino que em média as multas rondarão os 5-6 euros… Um preço justo, seguramente. Começou a proletarização dos jovens advogados? Não se trata de caminhar no sentido de uma sociedade moderna de assalariados (H.Perkin) mas de outra coisa…. outro caminho. Começa a faltar gente visionária como aquela que, noutros continentes de Oitocentos , prescindiu livremente dos escravos para os substituir por europeus assalariados livre: mais caros (claro), mas livres, mais motivados e mais produtivos.
HAF
O “regresso” às aulas (15.30-17.30) e às reuniões de tutoria (17.30-19.00). A manhã ficou reservada a mais burocracia : a FCT , que actua com um baixo nível de responsabilidade (vejam-se os sem-cumprimentos-de-prazos para todos os concursos e avaliações……uma eternidade sem qualquer escrutínio/justiticação) e sobre a qual se começam a ouvir com mais insistência dúvidas sobre procedimentos, reforça a sua burocracia de uma forma inaceitável. O pedido de um atestado /certificado de que esteve num dado congresso a apresentar uma comunicação para o qual o investigador com meses de antecipação pagou uma inscrição que ronda os 250 euros …estende aos investigadores cordenadores de projectos de investigação o anátema que não há muito tempo cobria todos os alunos (compo potenciais adeptos da fraude, pelo que , em exame deveriam ir ao wc acompanhados de um docente /vigilante). Não basta ter antecipado em meses todas as despesas com inscrição e alojamento, bem documentada por documentação electrónica das organizações (ISIG /APHES) , enviar (no caso) cópias dos papers apresentados, ter candidatado e organizado a sessão etc, etc. É ainda necessário uma declaração da organização a confirmar que o investigador esteve mesmo já. Enfim um exemplo de “complicadex”. E estou de acordo: na era das “grandes avenidas” persiste a velha tradição do “papelinho” para o Sr Dr. Nem mais…..já tomei as providências e os papelinhos já devem estar a caminho ( o colega holandês reagiu cum um “smile”: ele(s) conhecem-nos…)
II
Na crónica do dia a Helena Matos (Público) relembra o caso Carlos Cupeto, um colega da Universidade de Évora que durante meses foi maltratado e agredido por um aluno e seus familiares. E fez bem em regressar a este caso. Gostava de lhe responder Helena, dizendo que o mesmo ficou resolvido e bem resolvido penalizando Académica e/ou Civilmente os agressores. Mas desconheço a resposta e é provável que muito poucos a conheçam nesta Universidade.
Mas o assunto principal da crónica da jornalista é a questão iraquiana e as virtudes a prazo da solução modernizadora de inspiração Rostowiana em curso (a da importação da modernidade “civilizada”, claro) . Nesta matéria a divergência começa com a estratégia, os argumentos e o processo. É obvio que o resto (do desacordo) se torna uma consequência. E devo confessar ter uma vantagem: não sou dos que durmo com fantasmas….mesmo os mais radiosos. Mas que o Iarque foi um inaceitável atrevimento imperial foi. E não há impéros bons nem maus. Há só impérios. O cemitério da História está cheio deles, e duvido que já esteja lotado.
III
Há uns anos um ministro teve a ideia de vender as receitas ou dívidas do Estado a um Banco. Lembra-se agora de contratar jovens advogados a tratar dos milhares de processos de violação de regras de trânsito através do sistema do “paiement à la pièce” (piece contract system). Sugiro um completo regresso à economia pública do Ancien Regime, com os arrendatários das rendas do Estado e as experiências do trabalho proto-industrial. E não comento a tabela de preços: um euro e pouco cada processo! Imagino que em média as multas rondarão os 5-6 euros… Um preço justo, seguramente. Começou a proletarização dos jovens advogados? Não se trata de caminhar no sentido de uma sociedade moderna de assalariados (H.Perkin) mas de outra coisa…. outro caminho. Começa a faltar gente visionária como aquela que, noutros continentes de Oitocentos , prescindiu livremente dos escravos para os substituir por europeus assalariados livre: mais caros (claro), mas livres, mais motivados e mais produtivos.
HAF
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