09.00-19.30: preparação das apresentações e comentários dos papers para as sessões :
European Social Science History Conference (ESSHC)
Lisbon, FLUL, February 27 – March 1 2008.
SOC11: Social Mobility I / II
Editorial
Um amigo muito estimado tem uma “FlorBela” , a poetisa, sentada à janela do mundo. A peça é de Pedro Fazenda e hoje permite à poetisa, a partir da Quinta de Santa Rita, um olhar eterno sobre o lado este da cidade de Évora. Todavia ela nem sempre esteve ali. Conheci-a na cidade, no Pátio de S. Miguel , quase debruçada sobre o velho Colégio Espírito Santo (actual “centro” da Universidade de Évora) e com um horizonte que dos “coutos “ orientais da cidade se prolongava, nos dias verdadeiramente transparentes , até Évora-Monte . Mas as coisas da vida são como se fazem. Depois de um par de anos vendo o mundo a partir da cidade , e de mais alguns por outras andanças e paragens, Florbela sentou-se definitivamente para observar a cidade. E lá a encontrará nos anos vindouros quem a souber procurar. À janela, de onde a poetisa gostava de apreciar se não o Mundo, pelo menos o Mar (“Da Minha Janela”, 1923).
À janela do mundo me coloco também para observar e comentar as múltiplas cidades que me interessam, os seus actores e instituições. Sem uma agenda definida. Pelo simples prazer de dar palavras a ideias quando tal me apetecer. Um exercício de liberdade e cidadania.
DiáriodeumaCatedraaJanela é um blog de autor, um espaço de opinião aberto a todas as dimensões que se inscrevem na minha identidade . A de um autor com experiência e memória de mais de meio século partilhadas entre África e Europa, Casado (há quase 30 anos), Pai (de três filhos), Livre Pensador, Cidadão (Português e Europeu) , Professor (Catedrático) e Historiador . O Diário passará por tudo isto, mas com o carácter de “conta-corrente”, só mesmo a vida académica, que no momento em que este editorial foi escrito de(le)itava-se em mais uma falsas férias.
Não me coloco ao abrigo de uma atalaia. Pretendo também ser observado, expondo o meu dia a dia profissional. É uma forma de ajudar a superar a miserável (manipulação da ) ignorância do “povo” e proporcionar a possibilidade de contrapôr experiências à retórica e oportunismo mediáticos de muitos observadores e políticos pouco criteriosos. Os cidadãos podem conhecer de perto o que nós (professores universitários com carreira universitária) fazemos pelo país, o modo como o fazemos e o que pensamos sobre o modo como podemos fazer ainda mais e melhor.
A começar a 1 de Setembro. Não por ser o dia dedicado pela Igreja Católica à bela “Santa Beatriz da Silva Menezes, Virgem “ (1490-c 1550). Não por constituir efeméride da invasão da Polónia pela Alemanha (1939), da Conferência de Belgrado (1961) ou da tomada do poder por Muammar al-Qaddafi (1969). Não também pelo comemorativo propósito dos dias do Caixeiro Viajante ou do Professor de Educação Física. Nem sequer por marcar o nascimento de António Lobo Antunes (1942), o autor das extraordinárias “D´este viver aqui neste papel descripto. Cartas da Guerra” (1971-1972) , cuja edição as filhas organizaram (2005) , ou de Allen Weinstein (1937), prestigiado historiador americano e actual “Archivist of the United States “. Nada disso. Também não é por corresponder ao 9802º dia da minha actividade como professor universitário, cujo início data de 30 de Outubro de 1980, quatro meses após a conclusão da licenciatura e uma disputa em concurso público limpinho. Apenas porque me fica mais em conta.
Vamos lá tentar fazer disto um mundo aberto.
Burgau, 15 de Agosto de 2007
Helder Adegar Fonseca (HAF)
À janela do mundo me coloco também para observar e comentar as múltiplas cidades que me interessam, os seus actores e instituições. Sem uma agenda definida. Pelo simples prazer de dar palavras a ideias quando tal me apetecer. Um exercício de liberdade e cidadania.
DiáriodeumaCatedraaJanela é um blog de autor, um espaço de opinião aberto a todas as dimensões que se inscrevem na minha identidade . A de um autor com experiência e memória de mais de meio século partilhadas entre África e Europa, Casado (há quase 30 anos), Pai (de três filhos), Livre Pensador, Cidadão (Português e Europeu) , Professor (Catedrático) e Historiador . O Diário passará por tudo isto, mas com o carácter de “conta-corrente”, só mesmo a vida académica, que no momento em que este editorial foi escrito de(le)itava-se em mais uma falsas férias.
Não me coloco ao abrigo de uma atalaia. Pretendo também ser observado, expondo o meu dia a dia profissional. É uma forma de ajudar a superar a miserável (manipulação da ) ignorância do “povo” e proporcionar a possibilidade de contrapôr experiências à retórica e oportunismo mediáticos de muitos observadores e políticos pouco criteriosos. Os cidadãos podem conhecer de perto o que nós (professores universitários com carreira universitária) fazemos pelo país, o modo como o fazemos e o que pensamos sobre o modo como podemos fazer ainda mais e melhor.
A começar a 1 de Setembro. Não por ser o dia dedicado pela Igreja Católica à bela “Santa Beatriz da Silva Menezes, Virgem “ (1490-c 1550). Não por constituir efeméride da invasão da Polónia pela Alemanha (1939), da Conferência de Belgrado (1961) ou da tomada do poder por Muammar al-Qaddafi (1969). Não também pelo comemorativo propósito dos dias do Caixeiro Viajante ou do Professor de Educação Física. Nem sequer por marcar o nascimento de António Lobo Antunes (1942), o autor das extraordinárias “D´este viver aqui neste papel descripto. Cartas da Guerra” (1971-1972) , cuja edição as filhas organizaram (2005) , ou de Allen Weinstein (1937), prestigiado historiador americano e actual “Archivist of the United States “. Nada disso. Também não é por corresponder ao 9802º dia da minha actividade como professor universitário, cujo início data de 30 de Outubro de 1980, quatro meses após a conclusão da licenciatura e uma disputa em concurso público limpinho. Apenas porque me fica mais em conta.
Vamos lá tentar fazer disto um mundo aberto.
Burgau, 15 de Agosto de 2007
Helder Adegar Fonseca (HAF)
quarta-feira, fevereiro 27
9977º Dia
09.00-19.30: preparação das apresentações e comentários dos papers para as sessões :
European Social Science History Conference (ESSHC)
Lisbon, FLUL, February 27 – March 1 2008.
SOC11: Social Mobility I / II
European Social Science History Conference (ESSHC)
Lisbon, FLUL, February 27 – March 1 2008.
SOC11: Social Mobility I / II
terça-feira, fevereiro 26
9978º Dia
I
09.00-12.30: preparação de materiais para as aulas (PP)
14.00:14.30: participação na concentração de Docentes da Universidade de Évora em protesto contra a forma como o Ministro CES está a conduzidir a reforma do Ensino Superior.
15.30- 17.00: aula de HPC II
17.30-20.00: e a correspendência (muita) finalmente ficou em dia….
II
O protesto hoje protagonizado por algumas centenas de professores e funcionários nos Cluastros da UÉ foi um acto necessário, embora possa ter outro tipo de custos (uma nova exposição negativa da UÉ). O momento é de pagar esse custo. Devo acrescentar que gostei de ver uma parte da equipe reitoral presente e membros das três “listas” com lugares na Assembleia Estatutária (uma delas foi a promotora da iniciativa).
Fiquei perplexo com a declaração do Reitor prestada, no local, às rádios presentes (passou na Renascença): caso o contrato programa apresentado pelo Ministério não corresponda às expectativas reitoriais, o Reitor colocará o seu lugar à disposição. Isso não é uma boa notícia para a UE. Não estamos em momento de enfrentar uma crise institucional. O Magnífico Reitor sabe que pode, e tem o dever de, estudar todas as soluções. A ideia de colocar os ovos todos no mesmo cesto é , normalmente, uma escolha de risco muito elevado. Outras instituições foram mais flexíveis. Em todo o caso é difícil encontrar uma solução para um problema cuja exacta escala a Comunidade Académica desconhece.
O estilo do MCES é similar ao da sua congénere do Ministério da Educação. Não vejo o que é que um pais pobre em recursos humanos qualificados ganha com a “trapalhada” intencional ou incompetentemente promovida e com as fracturas “internas” que são social e academicamente desnecessárias (sem que as necessárias se concretizem). A “nota negativa” ao ministro pode vir a estender-se aos orgãos universitários que ousem desenhar as reformas sem debate académico e sem completa transparência nos processos. O exemplo da UP deve ser evitado.
A reforma das Universidadades é inadiável, mas tem que ter na base soluções de consenso alargado. É isso que, no seu relatório, recomenda o painel da Associação das Universidades Europeias. E muito bem, pois é num indispensável consenso estratégico e orgânico que assenta a possibilidade de sucesso de uma institutição no mundo moderno ( e não nas velhas soluções “iluministas2). Nisso uma parte da nossa elite dirigente universitária, optando pela via mais fácil (a “iluminada”, por intesses particulares instalados) revela ser herdeira do lado negro da velha cultura portuguesa. O que é acima de tudo irritante.
HAF
09.00-12.30: preparação de materiais para as aulas (PP)
14.00:14.30: participação na concentração de Docentes da Universidade de Évora em protesto contra a forma como o Ministro CES está a conduzidir a reforma do Ensino Superior.
15.30- 17.00: aula de HPC II
17.30-20.00: e a correspendência (muita) finalmente ficou em dia….
II
O protesto hoje protagonizado por algumas centenas de professores e funcionários nos Cluastros da UÉ foi um acto necessário, embora possa ter outro tipo de custos (uma nova exposição negativa da UÉ). O momento é de pagar esse custo. Devo acrescentar que gostei de ver uma parte da equipe reitoral presente e membros das três “listas” com lugares na Assembleia Estatutária (uma delas foi a promotora da iniciativa).
Fiquei perplexo com a declaração do Reitor prestada, no local, às rádios presentes (passou na Renascença): caso o contrato programa apresentado pelo Ministério não corresponda às expectativas reitoriais, o Reitor colocará o seu lugar à disposição. Isso não é uma boa notícia para a UE. Não estamos em momento de enfrentar uma crise institucional. O Magnífico Reitor sabe que pode, e tem o dever de, estudar todas as soluções. A ideia de colocar os ovos todos no mesmo cesto é , normalmente, uma escolha de risco muito elevado. Outras instituições foram mais flexíveis. Em todo o caso é difícil encontrar uma solução para um problema cuja exacta escala a Comunidade Académica desconhece.
O estilo do MCES é similar ao da sua congénere do Ministério da Educação. Não vejo o que é que um pais pobre em recursos humanos qualificados ganha com a “trapalhada” intencional ou incompetentemente promovida e com as fracturas “internas” que são social e academicamente desnecessárias (sem que as necessárias se concretizem). A “nota negativa” ao ministro pode vir a estender-se aos orgãos universitários que ousem desenhar as reformas sem debate académico e sem completa transparência nos processos. O exemplo da UP deve ser evitado.
A reforma das Universidadades é inadiável, mas tem que ter na base soluções de consenso alargado. É isso que, no seu relatório, recomenda o painel da Associação das Universidades Europeias. E muito bem, pois é num indispensável consenso estratégico e orgânico que assenta a possibilidade de sucesso de uma institutição no mundo moderno ( e não nas velhas soluções “iluministas2). Nisso uma parte da nossa elite dirigente universitária, optando pela via mais fácil (a “iluminada”, por intesses particulares instalados) revela ser herdeira do lado negro da velha cultura portuguesa. O que é acima de tudo irritante.
HAF
9977º Dia
09-12.30: organização de aulas HPCII (um programa assumidamente comparatista) e programas de MEHE
14.00- 15.30: Aula de HPC
16.00-20.00: Cf. DN 1968-69
22.00-01.00: um olho nos materais (aulas) e outro do Pós e Contras sobre o Ensino Público não Superior . O problema parece-me “tipicamente” português: uma “boa ideia”, embora num desenho não totalmente maduro (o que não é dramático e pode mesmo ser uma virtude). O eu me parece também é que o novo projecto (com uma consistência invulgar nas últimas décadas) pode afundar-se na sua atabalhoada operacionalização (as reformas educativas sólidas não se fazem com base em ciclos eleitoriais ). Extraordinário é a classe política ainda pensar que hoje a crítica é necessariamente uma expressão de resistência e que a ele se deve responder com assumos de autoritarismo serôdio. A Educação, incluindo a (urgente) reforma do ensino superior está neste pé, com demasiados iluminados …..e muitas, muitas tontices.
HAF
14.00- 15.30: Aula de HPC
16.00-20.00: Cf. DN 1968-69
22.00-01.00: um olho nos materais (aulas) e outro do Pós e Contras sobre o Ensino Público não Superior . O problema parece-me “tipicamente” português: uma “boa ideia”, embora num desenho não totalmente maduro (o que não é dramático e pode mesmo ser uma virtude). O eu me parece também é que o novo projecto (com uma consistência invulgar nas últimas décadas) pode afundar-se na sua atabalhoada operacionalização (as reformas educativas sólidas não se fazem com base em ciclos eleitoriais ). Extraordinário é a classe política ainda pensar que hoje a crítica é necessariamente uma expressão de resistência e que a ele se deve responder com assumos de autoritarismo serôdio. A Educação, incluindo a (urgente) reforma do ensino superior está neste pé, com demasiados iluminados …..e muitas, muitas tontices.
HAF
domingo, fevereiro 24
9976º Dia
No dia em que chegou às mãos o diário de Eleutério Teixeira (um nacionalista cabo-verdiano falecido em 1999) leio no DN:
“Companheiros de luta em vida, unidos na morte por um capricho do destino. Joaquim Pinto de Andrade [o “padre exilado”, 81 anos] e Gentil [Ferreira] Viana [72 anos], duas personalidades de referência do movimento nacionalista angolano, faleceram ontem, com poucas horas de intervalo. O primeiro em Angola, o segundo em Lisboa. Ambos foram reconhecidos, embora tarde de mais, como figuras fundamentais para a construção de uma sociedade angolana livre dos radicalismos ideológicos que a marcaram nas últimas três décadas. A moderação que defendiam, nos anos imediatamente anteriores e posteriores à independência, estava certa. Mas surgiu no tempo errado.” [Diário de Notícias, 24-02.08]
Angola é a minha Heimat e, lá, a partir de 1968-1969, numa aula de explicações de latim ministrada ao final do dia no Colégio de D. João III (!), comecei a descobrir JPA e GV. Acho que ambos eram filhos de fundadores da Liga Nacional Africana e depois, nos finais dos anos 1950, estiveram entre os fundadores do MPLA. A estes dois grandes angolanos devo aqui hoje prestar as minhas homenagens.
HAF
“Companheiros de luta em vida, unidos na morte por um capricho do destino. Joaquim Pinto de Andrade [o “padre exilado”, 81 anos] e Gentil [Ferreira] Viana [72 anos], duas personalidades de referência do movimento nacionalista angolano, faleceram ontem, com poucas horas de intervalo. O primeiro em Angola, o segundo em Lisboa. Ambos foram reconhecidos, embora tarde de mais, como figuras fundamentais para a construção de uma sociedade angolana livre dos radicalismos ideológicos que a marcaram nas últimas três décadas. A moderação que defendiam, nos anos imediatamente anteriores e posteriores à independência, estava certa. Mas surgiu no tempo errado.” [Diário de Notícias, 24-02.08]
Angola é a minha Heimat e, lá, a partir de 1968-1969, numa aula de explicações de latim ministrada ao final do dia no Colégio de D. João III (!), comecei a descobrir JPA e GV. Acho que ambos eram filhos de fundadores da Liga Nacional Africana e depois, nos finais dos anos 1950, estiveram entre os fundadores do MPLA. A estes dois grandes angolanos devo aqui hoje prestar as minhas homenagens.
HAF
sábado, fevereiro 23
9975º Dia
I
09.00-12.30: preparação de aulas (HPC II, HCTN-EI)
14.00- 18.00: preparação de materiais de apoio às aulas ( a contribuição financeira dos rendimentos pessoais para assegurar o funcionamento decente do ensino que ministro– actualização bibliográfica, acesso aos dados, etc…- é na ordem dos 90%, um contributo que se estende com igual peso noutras actividades académicas)
II
Tenho em mãos um documento para ler: o da empregabilidade das licenciaturas (portuguesas) no mercado nacional [«Relatório. A Procura de emprego dos diplomados com habilitação superior” [Fevereiro 2008] ], elaborado pelo GPEARI do MCTES e disponível em no seu “site”, juntamente com os dados em excel e relatório e dados do semestre anterior).
Imprimi-o com a intenção de o ler apenas depois de folhear os jornais (Público e Sol) que sobre o assunto algo devem dizer. Mas não resisti à curiosidade de ver como o dito relatório estava estruturado para o comparar com outro, de âmbito institucional, que li há dias.
Acabei por ler a Introdução, Estrutura do Relatório e Conclusões e Síntese (pp. 8 e 10) e, por mais surpreendente que possa parecer num relatório de Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do MCTES, o leitor pode ler nos primeiros dois parágrafos das “conclusões e Síntese” esta pérola estatística e analítica:
«Em Dezembro de 2007, o número de pessoas com habilitação superior inscritas nos centros de emprego à procura de um primeiro emprego ou de um novo emprego era de 39 627, o que representa 4,5 do total da população com habilitação superior entre os 15 e os 64 anos residente em Portugal.
Em relação ao mês homólogo de 2006 , o número de inscritos com habilitação superior nos centros de emprego do Continente em Dezembro de 2007 (38 975) diminuíu 6,5% » (fim de citação)
Os números não parecem correctos (ver pp. 10 linhas 3 e 9 e p. p.17 quadro 1.2) , se estão, a operação aritmética (básica) está errada , e o número de pessoas inscritas com habilitação superior não diminuíu antes, de forma ligeiramente é certo, aumentou (1,7%) .
Com pérolas deste quilate logo à entrada - que enviezam logo à partida a opinião dos leitores menos atentos - o que se pode esperar, em matéria de credibilidade, dos restantes dados ( que não podemos controlar) e conclusões parcelares do dito relatório ?
Não há pachorra para aturar este nível que “qualidade institucional” . São “experts” deste tipo que planeiam, definem estratégias e avaliam ? Bolas.
Vou é jogar uma suecada com a família , ver o “Dança Comigo” , o “Daily Show” ou ...nada
HAF
.
HAF
09.00-12.30: preparação de aulas (HPC II, HCTN-EI)
14.00- 18.00: preparação de materiais de apoio às aulas ( a contribuição financeira dos rendimentos pessoais para assegurar o funcionamento decente do ensino que ministro– actualização bibliográfica, acesso aos dados, etc…- é na ordem dos 90%, um contributo que se estende com igual peso noutras actividades académicas)
II
Tenho em mãos um documento para ler: o da empregabilidade das licenciaturas (portuguesas) no mercado nacional [«Relatório. A Procura de emprego dos diplomados com habilitação superior” [Fevereiro 2008] ], elaborado pelo GPEARI do MCTES e disponível em no seu “site”, juntamente com os dados em excel e relatório e dados do semestre anterior).
Imprimi-o com a intenção de o ler apenas depois de folhear os jornais (Público e Sol) que sobre o assunto algo devem dizer. Mas não resisti à curiosidade de ver como o dito relatório estava estruturado para o comparar com outro, de âmbito institucional, que li há dias.
Acabei por ler a Introdução, Estrutura do Relatório e Conclusões e Síntese (pp. 8 e 10) e, por mais surpreendente que possa parecer num relatório de Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do MCTES, o leitor pode ler nos primeiros dois parágrafos das “conclusões e Síntese” esta pérola estatística e analítica:
«Em Dezembro de 2007, o número de pessoas com habilitação superior inscritas nos centros de emprego à procura de um primeiro emprego ou de um novo emprego era de 39 627, o que representa 4,5 do total da população com habilitação superior entre os 15 e os 64 anos residente em Portugal.
Em relação ao mês homólogo de 2006 , o número de inscritos com habilitação superior nos centros de emprego do Continente em Dezembro de 2007 (38 975) diminuíu 6,5% » (fim de citação)
Os números não parecem correctos (ver pp. 10 linhas 3 e 9 e p. p.17 quadro 1.2) , se estão, a operação aritmética (básica) está errada , e o número de pessoas inscritas com habilitação superior não diminuíu antes, de forma ligeiramente é certo, aumentou (1,7%) .
Com pérolas deste quilate logo à entrada - que enviezam logo à partida a opinião dos leitores menos atentos - o que se pode esperar, em matéria de credibilidade, dos restantes dados ( que não podemos controlar) e conclusões parcelares do dito relatório ?
Não há pachorra para aturar este nível que “qualidade institucional” . São “experts” deste tipo que planeiam, definem estratégias e avaliam ? Bolas.
Vou é jogar uma suecada com a família , ver o “Dança Comigo” , o “Daily Show” ou ...nada
HAF
.
HAF
sexta-feira, fevereiro 22
9974º Dia
I
08.00-11.00: Tutorias de alunos de licenciatura
11.00-13.00: Reunião com doutoranda. Ficou à vista a luz ao fundo do túnel. Em breve poderemos conhecer melhor a experiência da resistência da ocupação colonial portuguesa em Moçambique entre o terceiro quartel do Século 19 e a 1ª Guerra Mundial
13.00-14.30: almoço de balanço, primeiro do Colóquio dedicado às Globalizações e aspectos essenciais das iniciativas a curto prazo do NICPRI para concretizar a sua estratégia de consolidação e internacionalização, depois da situação como a “governação da Universidade” tem lidado com as dificuldades actuais e da tentação nepótica que parece marcar a sua composição. Preve-se nos próximos dias manifestações docentes. Contará quase seguramente com o meu apoio.
15.00-19.00: burocracia do MEHE e preparação de documentação para aulas.
II
O dia “nacional” ficou marcado pela generalizada divulgação do documento “TOMADA DE POSIÇÃO – FEVEREIRO 2008” da SEDES - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, uma das mais antigas e prestígiadas associações cívicas portugueses (fundada em 1970) pela sua cultura marcadamente democrática, favorável a uma sociedade aberta e socialmente mais justa. O documento, que é asasinado pelo seu Conselho Coordenador, identifica um conjunto de práticas sociais e politicas que, de forma já persistente e expressivamente generalizada, minam a vida socio-politica portuguesa e a República Democrática. Entre eles são referidos os muitos, maus e omnipresentes politicos; um jornalismo engajado a interesses difusos (e por vezes manifestamente “inculto”), a extensa e impune corrupção;o funcionamento não transparente de institutições do Estado, dos partidos e do sector privado; a suspeita de uma enorme promiscuidade entre elites políticas e empresariais; a ausência de escrutínio, ou de um escrutínio enviesado sobre as instituições; a ineficácia e desigualdade perante a aplicação da justiça; a criminalidade e insegurança; e as profundas fracturas e sinais de desigualdade social que socialmente diferência também segmentos étnicas que integram a sociedade portuguesa. A posição da SEDES é de leitura obrigatória e, sendo por sí uma manifestão da sociedade civil e uma reivindicação de mais (e nova) cidadania, deve mobilizar-nos para resistir a esta degradação da experiência democrática, como um aquis civilizacional.
Infelizmente o Ensino em geral não fica fora disto e este sector afecta dois segmentos sociais (os estudantes e as elites intelectuais e académicas) que poderão ser o ponto de partida para a tal “crise social de contornos difíceis de prever”, crise que a SEDES antecipa com fundamento inegável.
Na verdade no Ensino Superior é claro o esforço de “POLITIZAÇÃO” pela pior via, a da ostensiva GOVERNAMENTALIZAÇÃO. Não é surpreendente que só muito poucos dos reitores se prestem a assumir esta submissão que as nossas experiências autoritárias mostraram ser um facto de atraso das nossas instituições educativas.
Não posso deixar de seguir de perto a interpretação do Professor Doutor Alberto Amaral, expressa num documento maduro distribuido naquela instituição. O ex-reitor da Universidade do Porto, fundador e investigador (ainda director?) do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior, ataca de forma contundente o processo de “desenvolvimento virulento”, nas instituições universitárias, da “Nova Gestão Pública, em que a gestão, em vez de ser um meio, se torna um objectivo”. Ora “as universidades são (na sua essência e fundamento) lugares de criação e de inovação onde a gestão só pode ser um instrumento”, e o cumprimento daquela missão exige um processo complexo de decisão que não pode fixar-se numa qualquer forma de governo concentracionário (inspirados em “práticas de gestão e de sistemas de incentivos de outros tipos de organização”), que marginaliza ou mesmo se autonomiza da Academia. Uma foma de governo de tal natureza, marcado pela presença de um super-Reitor, dotado de poder excessivos, apoiado por uma burocracia de confiança, um e outra, e pela desvalorização dos Académicos, destroi elementos essenciais da cultura académica europeia (um espaço de debate e confronto de ideias e de auto-governo). É verdade que no caso português a Universidade nem sempre usou esses atributos (livre pensamento e criação, e organização baseada na responsabilidade dos séniores) da melhor forma. Se aquela cultura conheceu um enraizamento mais sólido depois da Revolução Democrática de Abril, isso não impediu que em algumas delas, tal como na sociedade portuguesa, se tenha instalado e dominado uma teia de de interesses difusos, ilegítimos, nocisos e completamente isentos da responsabilização.
Podemos de facto questionar a capacidade de reforma “radical”(que é necessária) e de regeneração das instituições universitárias de um dos países da Europa com os mais baixos níveis de institucionalização de boas práticas e de “accountability”. A tentação de um neo-pombalismo é grande, mas é uma pura ilusão.
A receita é “simples”: uma estratégia sólida, fundada nos novos paradigmas da criação e reprodução internacional do conhecimento e formação, e academicamente enraizada; objectivos por etapas muito bem definidos e sujeitos ao princípio do escrutínio e da responsabilização; organização ajustada à estratégia e um modelo de gestão adequado aos objectivos definidos; absoluta transparência nos processos de decisão, com mecanismos autónomos de escrutínio; uma responsabilização extensiva, mas adequada e proporcional às posições alcançadas na hierarquia académica e no corpo burocrata. E sobre isto é necessário sermos muito claros: as ( só a maioria?) universidades portuguesas não sendo o “poço de todos os males” não deixaram de se tornar num poço com poucas daquelas virtudes. E isso é notoriamente mais visível nas de menor complexidade.
Mutatis mutandis, recomenda-se a estas instituições o que a SEDES sugere para superar a “crise” nacional: “Em geral [o Estado/ os orgãos de governo universitários] a esfera formal onde se forma a decisão e se gerem os negócios [do país/das universidades], tem de abrir urgentemente canais para escutar[ a sociedade civil e os cidadãos em geral a Academia]. Deve(m) fazê-lo de forma clara, transparente e, sobretudo, escrutinável. Os portugueses [Os Académicos] têm de poder entender as razões que presidem à formação das políticas [públicas/universitárias] que lhes dizem respeito
III
No plano internacional o destaque vai para a forma categórica como Obana, no 19º debate (Austin, TX CNN Debate) com Hillary Clinton , se distanciou, tanto em matéria de política interna como de política internacional americana, dos velhos clãs democrata e republicano, concretizando uma “outra forma de fazer as coisas” nos EUA.
HAF
08.00-11.00: Tutorias de alunos de licenciatura
11.00-13.00: Reunião com doutoranda. Ficou à vista a luz ao fundo do túnel. Em breve poderemos conhecer melhor a experiência da resistência da ocupação colonial portuguesa em Moçambique entre o terceiro quartel do Século 19 e a 1ª Guerra Mundial
13.00-14.30: almoço de balanço, primeiro do Colóquio dedicado às Globalizações e aspectos essenciais das iniciativas a curto prazo do NICPRI para concretizar a sua estratégia de consolidação e internacionalização, depois da situação como a “governação da Universidade” tem lidado com as dificuldades actuais e da tentação nepótica que parece marcar a sua composição. Preve-se nos próximos dias manifestações docentes. Contará quase seguramente com o meu apoio.
15.00-19.00: burocracia do MEHE e preparação de documentação para aulas.
II
O dia “nacional” ficou marcado pela generalizada divulgação do documento “TOMADA DE POSIÇÃO – FEVEREIRO 2008” da SEDES - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, uma das mais antigas e prestígiadas associações cívicas portugueses (fundada em 1970) pela sua cultura marcadamente democrática, favorável a uma sociedade aberta e socialmente mais justa. O documento, que é asasinado pelo seu Conselho Coordenador, identifica um conjunto de práticas sociais e politicas que, de forma já persistente e expressivamente generalizada, minam a vida socio-politica portuguesa e a República Democrática. Entre eles são referidos os muitos, maus e omnipresentes politicos; um jornalismo engajado a interesses difusos (e por vezes manifestamente “inculto”), a extensa e impune corrupção;o funcionamento não transparente de institutições do Estado, dos partidos e do sector privado; a suspeita de uma enorme promiscuidade entre elites políticas e empresariais; a ausência de escrutínio, ou de um escrutínio enviesado sobre as instituições; a ineficácia e desigualdade perante a aplicação da justiça; a criminalidade e insegurança; e as profundas fracturas e sinais de desigualdade social que socialmente diferência também segmentos étnicas que integram a sociedade portuguesa. A posição da SEDES é de leitura obrigatória e, sendo por sí uma manifestão da sociedade civil e uma reivindicação de mais (e nova) cidadania, deve mobilizar-nos para resistir a esta degradação da experiência democrática, como um aquis civilizacional.
Infelizmente o Ensino em geral não fica fora disto e este sector afecta dois segmentos sociais (os estudantes e as elites intelectuais e académicas) que poderão ser o ponto de partida para a tal “crise social de contornos difíceis de prever”, crise que a SEDES antecipa com fundamento inegável.
Na verdade no Ensino Superior é claro o esforço de “POLITIZAÇÃO” pela pior via, a da ostensiva GOVERNAMENTALIZAÇÃO. Não é surpreendente que só muito poucos dos reitores se prestem a assumir esta submissão que as nossas experiências autoritárias mostraram ser um facto de atraso das nossas instituições educativas.
Não posso deixar de seguir de perto a interpretação do Professor Doutor Alberto Amaral, expressa num documento maduro distribuido naquela instituição. O ex-reitor da Universidade do Porto, fundador e investigador (ainda director?) do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior, ataca de forma contundente o processo de “desenvolvimento virulento”, nas instituições universitárias, da “Nova Gestão Pública, em que a gestão, em vez de ser um meio, se torna um objectivo”. Ora “as universidades são (na sua essência e fundamento) lugares de criação e de inovação onde a gestão só pode ser um instrumento”, e o cumprimento daquela missão exige um processo complexo de decisão que não pode fixar-se numa qualquer forma de governo concentracionário (inspirados em “práticas de gestão e de sistemas de incentivos de outros tipos de organização”), que marginaliza ou mesmo se autonomiza da Academia. Uma foma de governo de tal natureza, marcado pela presença de um super-Reitor, dotado de poder excessivos, apoiado por uma burocracia de confiança, um e outra, e pela desvalorização dos Académicos, destroi elementos essenciais da cultura académica europeia (um espaço de debate e confronto de ideias e de auto-governo). É verdade que no caso português a Universidade nem sempre usou esses atributos (livre pensamento e criação, e organização baseada na responsabilidade dos séniores) da melhor forma. Se aquela cultura conheceu um enraizamento mais sólido depois da Revolução Democrática de Abril, isso não impediu que em algumas delas, tal como na sociedade portuguesa, se tenha instalado e dominado uma teia de de interesses difusos, ilegítimos, nocisos e completamente isentos da responsabilização.
Podemos de facto questionar a capacidade de reforma “radical”(que é necessária) e de regeneração das instituições universitárias de um dos países da Europa com os mais baixos níveis de institucionalização de boas práticas e de “accountability”. A tentação de um neo-pombalismo é grande, mas é uma pura ilusão.
A receita é “simples”: uma estratégia sólida, fundada nos novos paradigmas da criação e reprodução internacional do conhecimento e formação, e academicamente enraizada; objectivos por etapas muito bem definidos e sujeitos ao princípio do escrutínio e da responsabilização; organização ajustada à estratégia e um modelo de gestão adequado aos objectivos definidos; absoluta transparência nos processos de decisão, com mecanismos autónomos de escrutínio; uma responsabilização extensiva, mas adequada e proporcional às posições alcançadas na hierarquia académica e no corpo burocrata. E sobre isto é necessário sermos muito claros: as ( só a maioria?) universidades portuguesas não sendo o “poço de todos os males” não deixaram de se tornar num poço com poucas daquelas virtudes. E isso é notoriamente mais visível nas de menor complexidade.
Mutatis mutandis, recomenda-se a estas instituições o que a SEDES sugere para superar a “crise” nacional: “Em geral [o Estado/ os orgãos de governo universitários] a esfera formal onde se forma a decisão e se gerem os negócios [do país/das universidades], tem de abrir urgentemente canais para escutar[ a sociedade civil e os cidadãos em geral a Academia]. Deve(m) fazê-lo de forma clara, transparente e, sobretudo, escrutinável. Os portugueses [Os Académicos] têm de poder entender as razões que presidem à formação das políticas [públicas/universitárias] que lhes dizem respeito
III
No plano internacional o destaque vai para a forma categórica como Obana, no 19º debate (Austin, TX CNN Debate) com Hillary Clinton , se distanciou, tanto em matéria de política interna como de política internacional americana, dos velhos clãs democrata e republicano, concretizando uma “outra forma de fazer as coisas” nos EUA.
HAF
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