I
9.oo-12.00: revisão da arguição lição PA MAC e relatório
15.00-18.00: provas de arguição (conclusão).
18.30-19.00: reunião com DHEPRI (um avanço no programa DHC)
22.00-23.00: re-visitar grelha de avaliação acordada para Concurso Prov. Catedráticos
II
Professores e Ministério começam a negociar e agora a palavra chave é “flexibilização”. Finalmente algum juízo. Porque é que os novos modelos de carreira e avaliação nos Açores e Madeira podem ser tão diferentes dos adoptados no continente?
HAF
Editorial
Um amigo muito estimado tem uma “FlorBela” , a poetisa, sentada à janela do mundo. A peça é de Pedro Fazenda e hoje permite à poetisa, a partir da Quinta de Santa Rita, um olhar eterno sobre o lado este da cidade de Évora. Todavia ela nem sempre esteve ali. Conheci-a na cidade, no Pátio de S. Miguel , quase debruçada sobre o velho Colégio Espírito Santo (actual “centro” da Universidade de Évora) e com um horizonte que dos “coutos “ orientais da cidade se prolongava, nos dias verdadeiramente transparentes , até Évora-Monte . Mas as coisas da vida são como se fazem. Depois de um par de anos vendo o mundo a partir da cidade , e de mais alguns por outras andanças e paragens, Florbela sentou-se definitivamente para observar a cidade. E lá a encontrará nos anos vindouros quem a souber procurar. À janela, de onde a poetisa gostava de apreciar se não o Mundo, pelo menos o Mar (“Da Minha Janela”, 1923).
À janela do mundo me coloco também para observar e comentar as múltiplas cidades que me interessam, os seus actores e instituições. Sem uma agenda definida. Pelo simples prazer de dar palavras a ideias quando tal me apetecer. Um exercício de liberdade e cidadania.
DiáriodeumaCatedraaJanela é um blog de autor, um espaço de opinião aberto a todas as dimensões que se inscrevem na minha identidade . A de um autor com experiência e memória de mais de meio século partilhadas entre África e Europa, Casado (há quase 30 anos), Pai (de três filhos), Livre Pensador, Cidadão (Português e Europeu) , Professor (Catedrático) e Historiador . O Diário passará por tudo isto, mas com o carácter de “conta-corrente”, só mesmo a vida académica, que no momento em que este editorial foi escrito de(le)itava-se em mais uma falsas férias.
Não me coloco ao abrigo de uma atalaia. Pretendo também ser observado, expondo o meu dia a dia profissional. É uma forma de ajudar a superar a miserável (manipulação da ) ignorância do “povo” e proporcionar a possibilidade de contrapôr experiências à retórica e oportunismo mediáticos de muitos observadores e políticos pouco criteriosos. Os cidadãos podem conhecer de perto o que nós (professores universitários com carreira universitária) fazemos pelo país, o modo como o fazemos e o que pensamos sobre o modo como podemos fazer ainda mais e melhor.
A começar a 1 de Setembro. Não por ser o dia dedicado pela Igreja Católica à bela “Santa Beatriz da Silva Menezes, Virgem “ (1490-c 1550). Não por constituir efeméride da invasão da Polónia pela Alemanha (1939), da Conferência de Belgrado (1961) ou da tomada do poder por Muammar al-Qaddafi (1969). Não também pelo comemorativo propósito dos dias do Caixeiro Viajante ou do Professor de Educação Física. Nem sequer por marcar o nascimento de António Lobo Antunes (1942), o autor das extraordinárias “D´este viver aqui neste papel descripto. Cartas da Guerra” (1971-1972) , cuja edição as filhas organizaram (2005) , ou de Allen Weinstein (1937), prestigiado historiador americano e actual “Archivist of the United States “. Nada disso. Também não é por corresponder ao 9802º dia da minha actividade como professor universitário, cujo início data de 30 de Outubro de 1980, quatro meses após a conclusão da licenciatura e uma disputa em concurso público limpinho. Apenas porque me fica mais em conta.
Vamos lá tentar fazer disto um mundo aberto.
Burgau, 15 de Agosto de 2007
Helder Adegar Fonseca (HAF)
À janela do mundo me coloco também para observar e comentar as múltiplas cidades que me interessam, os seus actores e instituições. Sem uma agenda definida. Pelo simples prazer de dar palavras a ideias quando tal me apetecer. Um exercício de liberdade e cidadania.
DiáriodeumaCatedraaJanela é um blog de autor, um espaço de opinião aberto a todas as dimensões que se inscrevem na minha identidade . A de um autor com experiência e memória de mais de meio século partilhadas entre África e Europa, Casado (há quase 30 anos), Pai (de três filhos), Livre Pensador, Cidadão (Português e Europeu) , Professor (Catedrático) e Historiador . O Diário passará por tudo isto, mas com o carácter de “conta-corrente”, só mesmo a vida académica, que no momento em que este editorial foi escrito de(le)itava-se em mais uma falsas férias.
Não me coloco ao abrigo de uma atalaia. Pretendo também ser observado, expondo o meu dia a dia profissional. É uma forma de ajudar a superar a miserável (manipulação da ) ignorância do “povo” e proporcionar a possibilidade de contrapôr experiências à retórica e oportunismo mediáticos de muitos observadores e políticos pouco criteriosos. Os cidadãos podem conhecer de perto o que nós (professores universitários com carreira universitária) fazemos pelo país, o modo como o fazemos e o que pensamos sobre o modo como podemos fazer ainda mais e melhor.
A começar a 1 de Setembro. Não por ser o dia dedicado pela Igreja Católica à bela “Santa Beatriz da Silva Menezes, Virgem “ (1490-c 1550). Não por constituir efeméride da invasão da Polónia pela Alemanha (1939), da Conferência de Belgrado (1961) ou da tomada do poder por Muammar al-Qaddafi (1969). Não também pelo comemorativo propósito dos dias do Caixeiro Viajante ou do Professor de Educação Física. Nem sequer por marcar o nascimento de António Lobo Antunes (1942), o autor das extraordinárias “D´este viver aqui neste papel descripto. Cartas da Guerra” (1971-1972) , cuja edição as filhas organizaram (2005) , ou de Allen Weinstein (1937), prestigiado historiador americano e actual “Archivist of the United States “. Nada disso. Também não é por corresponder ao 9802º dia da minha actividade como professor universitário, cujo início data de 30 de Outubro de 1980, quatro meses após a conclusão da licenciatura e uma disputa em concurso público limpinho. Apenas porque me fica mais em conta.
Vamos lá tentar fazer disto um mundo aberto.
Burgau, 15 de Agosto de 2007
Helder Adegar Fonseca (HAF)
terça-feira, março 11
segunda-feira, março 10
9989º Dia
I
07.00-12.30: viagem CP para o Porto a caminho de mais umas provas. Uma boa oportunidade para passar os olhos por Staffan Zetterholm (eds.) , National Cultures & European Integration.
13.00-14.30: um almoço interessante para apreciar as diversas soluções que outras universidades estão a encontrar no desenho dos novos estatutos : a orientação dominante nas principais instituições parece ser no sentido de uma grande flexibilidade dos estatutos no que toca à definição das áreas de conhecimento/ faculdades/ escolas/ etc.. deixando para uma segunda fase uma discussão mais sólida e fundamentada das associações/fusões, etc….)
15.00-17.00: Provas de Agregação.
18.30-20.00: revisão de dossiers de avaliação do MEHE
II: Contratos programa Universidades e MCES.
Ouvi dizer que a UÉ já assinou o contracto programa com o Governo. Deve ser boato pois estou seguro que em tal matéria já teria havido informação à Academia. Não digo que os catedráticos tomassem conhecimento dos cenários possíveis. Isso nem pensar. A coisa deve ficar entre um grupo mais íntimo, de forma a conciliar as “velhas boas práticas” com uma “universidade europeia do século XXI”. E o que me vem á cabela e o Jorge Palma. Seja como for conheço alguém que leu documentos sobre o assunto.
É por isso que gosto do método de trabalho decente e transparente do Reitor da Universidade de Lisboa: pouco espetáculo, poucas tiradas dramáticas para os media, mas assertivo no essencial, reorganizar a universidade não para servir clientelas instaladas mas para aumentar e potenciar a capacidade/qualidade instalada. O homem certo no momento certo. Faz-nos falta.
III: Ainda o protesto dos docentes e a “Avaliação dos professores”
Sobre a questão “quente” da avaliação dos professores só numa comunidade de políticos incompetentes se pode deixar de ter em conta o que sobre o assunto escreveu ontem, no Público, António Barreto (Retrato da Semana, 9.03.2008) . Conhecedor profundo do país não tem grandes dúvidas sobre o resultado: “ o sistema de avaliação é a dissolução da autoridade e da hierarquia, assim como um obstáculo ao trabalho em equipa e ao diálogo entre os profissionais. É um programa de desumanização da escola e da profissão docente. Este sistema burocrático é incapaz de avaliara qualidade das pessoas e de perceber o que os professores realmente fazem. É uma cortina de fundo atrás da qual se escondem burocratas e covardes, incapazes de criticar e eelogiar cara a cara um profissional.” Acrescenta ainda que proposta apresentada pelo ME não é uma invenção mas uma cópia recriada… e tem razão. Mas não o sigo na visão de que em si a avaliação é má, porque em muitos paises (onde funcionam padrões de ética politica e profissional muito elevados) estas coisas funcionam com dignidade. Na minha carreira universitária a progressão implicou 6 provas (duas em concurso público) : nelas fui sempre avaliado por colegas com graus académicos e posições universitárias superiores à minha. Não vejo que isso não possa fazer-se noutros níveis do sistema educativo. O que não pode fazer-se é com os professores titulares actuais uma vez que a sua “seleção” foi uma transparente batota, como é sabido.
Hoje não li os jornais mas tive oportunidade de ouvir um militante do PS no seu programa semanal de comentário político. O Dr. António Vitorino tem todo o direito de fazer os comentários que entender . O que me parece ilegítimo e irresponsável é querer fazer passar a ideia de que os professores não querem é ser avaliados. E isso é rotundamente falso. Talvez o comentador tenha dificuldade em perceber que uma avaliação não deve ser “burocrática” . Ela deve fazer-se com transparência profissional, deve impedir que se transforme num pólo de conflito interno para cada uma das escolas (por isso a necessidade de painéis de avaliação de professores inter-escolas), os critérios devem ser harmonizados ( e não como os do concurso de titulares que proporcionou um padrão de desigualdade de critérios díficil de superar) e os membros do júri devem ter qualificações académicas e profissionais acima dos avaliados. Além disso, a avaliação deve fazer-se conhecendo os avaliados com antecipação as regras do jogo. Finalmente , para ser assertiva, todos os agentes do sistema educativo ( políticos, delegados políticos, gestores, quadros intermédios, professores, e progenitores….) devem ser avaliados.
São aliás estes os critérios que defendo para a avaliação do desempenho dos docentes universitários. Um director/presidente de um departamento /Conselho Cientifico7 esocla , faculdade (etc…) pode ter muitas responsabilidades nos resultados dos docentes que integram a unidade .
É claro que colocar a avaliação dos professores no contexto institucional em que a sua acção se concretiza, relativiza muito o seu desempenho e tranfere/reparte uma parte expressiva das responsabilidades para outros actores. Nós sabemos que o ME é insensível a estas matérias e por isso a regular judicialização da sua relação com os professores, funcionários e alunos (a questão da repetição dos exames apenas para uns é uma daquelas coisas que só é aceitável num país contaminado pela cultura da batota).
Por razões circunstanciais há quase vinte anos que passo regularmente junto de uma escola pública na zona do Barreiro/Lavradio. Um horror. Só. Há quase vinte anos. Porque os politicos de facto não são nem avaliados nem responsabilizados, apenas penalisados pelo voto. E isso é muito pouco e pouco mexe com a sua vida , o seu futuro e o futuro dos seus descendentes. Os politicos tem que começar a interiorizar que as pessoas estão a perder a paciência e as coisas podem complicar-se.
E já perceberam que em Portugal o pior que pode acontecer ao país, em “Democracia” é a maioria absoluta partidária. Nenhuma delas foi bem sucedida pela incapacidade democratica dos seus politicos gerarem soluções consensuais (entre os partidos e com a sociedade). E quando olham para a Espanha, que voltou a descolar expressivamente em relação a Portugal , verificam que quer o PP quer o PSOE com uma maioria relativa tem sido globalmente bem sucedidos a acrescentar progresso e bem estar em beneficio dos seus cidadãos. E entre nós, apesar dos enormes recursos solidários proporcionados pela UE, temos um notório retrogresso social nos últimos cinco-seis anos (sendo os melhores indicativos disso, não os níveis de probreza, que não se alteraram , mas o retrogresso da classe média e 60.000 licenciados desempregados… e muitos outros a engrossar a sociedade do “precariato” , em trabalho quase sempre pouco qualificado. E a estatística, que por vezes parece regressar á era da “estadística” esconde muita coisa…
Bem.... vou deitar o olho ao “embate” Monarquia vs República que espero não se limite a disputas ideológicas entre Opus Dei /Causa Monárquica e Maçonaria republicana. Mas se tal acontecer também não serei apanhado de surpresa.
HAF
07.00-12.30: viagem CP para o Porto a caminho de mais umas provas. Uma boa oportunidade para passar os olhos por Staffan Zetterholm (eds.) , National Cultures & European Integration.
13.00-14.30: um almoço interessante para apreciar as diversas soluções que outras universidades estão a encontrar no desenho dos novos estatutos : a orientação dominante nas principais instituições parece ser no sentido de uma grande flexibilidade dos estatutos no que toca à definição das áreas de conhecimento/ faculdades/ escolas/ etc.. deixando para uma segunda fase uma discussão mais sólida e fundamentada das associações/fusões, etc….)
15.00-17.00: Provas de Agregação.
18.30-20.00: revisão de dossiers de avaliação do MEHE
II: Contratos programa Universidades e MCES.
Ouvi dizer que a UÉ já assinou o contracto programa com o Governo. Deve ser boato pois estou seguro que em tal matéria já teria havido informação à Academia. Não digo que os catedráticos tomassem conhecimento dos cenários possíveis. Isso nem pensar. A coisa deve ficar entre um grupo mais íntimo, de forma a conciliar as “velhas boas práticas” com uma “universidade europeia do século XXI”. E o que me vem á cabela e o Jorge Palma. Seja como for conheço alguém que leu documentos sobre o assunto.
É por isso que gosto do método de trabalho decente e transparente do Reitor da Universidade de Lisboa: pouco espetáculo, poucas tiradas dramáticas para os media, mas assertivo no essencial, reorganizar a universidade não para servir clientelas instaladas mas para aumentar e potenciar a capacidade/qualidade instalada. O homem certo no momento certo. Faz-nos falta.
III: Ainda o protesto dos docentes e a “Avaliação dos professores”
Sobre a questão “quente” da avaliação dos professores só numa comunidade de políticos incompetentes se pode deixar de ter em conta o que sobre o assunto escreveu ontem, no Público, António Barreto (Retrato da Semana, 9.03.2008) . Conhecedor profundo do país não tem grandes dúvidas sobre o resultado: “ o sistema de avaliação é a dissolução da autoridade e da hierarquia, assim como um obstáculo ao trabalho em equipa e ao diálogo entre os profissionais. É um programa de desumanização da escola e da profissão docente. Este sistema burocrático é incapaz de avaliara qualidade das pessoas e de perceber o que os professores realmente fazem. É uma cortina de fundo atrás da qual se escondem burocratas e covardes, incapazes de criticar e eelogiar cara a cara um profissional.” Acrescenta ainda que proposta apresentada pelo ME não é uma invenção mas uma cópia recriada… e tem razão. Mas não o sigo na visão de que em si a avaliação é má, porque em muitos paises (onde funcionam padrões de ética politica e profissional muito elevados) estas coisas funcionam com dignidade. Na minha carreira universitária a progressão implicou 6 provas (duas em concurso público) : nelas fui sempre avaliado por colegas com graus académicos e posições universitárias superiores à minha. Não vejo que isso não possa fazer-se noutros níveis do sistema educativo. O que não pode fazer-se é com os professores titulares actuais uma vez que a sua “seleção” foi uma transparente batota, como é sabido.
Hoje não li os jornais mas tive oportunidade de ouvir um militante do PS no seu programa semanal de comentário político. O Dr. António Vitorino tem todo o direito de fazer os comentários que entender . O que me parece ilegítimo e irresponsável é querer fazer passar a ideia de que os professores não querem é ser avaliados. E isso é rotundamente falso. Talvez o comentador tenha dificuldade em perceber que uma avaliação não deve ser “burocrática” . Ela deve fazer-se com transparência profissional, deve impedir que se transforme num pólo de conflito interno para cada uma das escolas (por isso a necessidade de painéis de avaliação de professores inter-escolas), os critérios devem ser harmonizados ( e não como os do concurso de titulares que proporcionou um padrão de desigualdade de critérios díficil de superar) e os membros do júri devem ter qualificações académicas e profissionais acima dos avaliados. Além disso, a avaliação deve fazer-se conhecendo os avaliados com antecipação as regras do jogo. Finalmente , para ser assertiva, todos os agentes do sistema educativo ( políticos, delegados políticos, gestores, quadros intermédios, professores, e progenitores….) devem ser avaliados.
São aliás estes os critérios que defendo para a avaliação do desempenho dos docentes universitários. Um director/presidente de um departamento /Conselho Cientifico7 esocla , faculdade (etc…) pode ter muitas responsabilidades nos resultados dos docentes que integram a unidade .
É claro que colocar a avaliação dos professores no contexto institucional em que a sua acção se concretiza, relativiza muito o seu desempenho e tranfere/reparte uma parte expressiva das responsabilidades para outros actores. Nós sabemos que o ME é insensível a estas matérias e por isso a regular judicialização da sua relação com os professores, funcionários e alunos (a questão da repetição dos exames apenas para uns é uma daquelas coisas que só é aceitável num país contaminado pela cultura da batota).
Por razões circunstanciais há quase vinte anos que passo regularmente junto de uma escola pública na zona do Barreiro/Lavradio. Um horror. Só. Há quase vinte anos. Porque os politicos de facto não são nem avaliados nem responsabilizados, apenas penalisados pelo voto. E isso é muito pouco e pouco mexe com a sua vida , o seu futuro e o futuro dos seus descendentes. Os politicos tem que começar a interiorizar que as pessoas estão a perder a paciência e as coisas podem complicar-se.
E já perceberam que em Portugal o pior que pode acontecer ao país, em “Democracia” é a maioria absoluta partidária. Nenhuma delas foi bem sucedida pela incapacidade democratica dos seus politicos gerarem soluções consensuais (entre os partidos e com a sociedade). E quando olham para a Espanha, que voltou a descolar expressivamente em relação a Portugal , verificam que quer o PP quer o PSOE com uma maioria relativa tem sido globalmente bem sucedidos a acrescentar progresso e bem estar em beneficio dos seus cidadãos. E entre nós, apesar dos enormes recursos solidários proporcionados pela UE, temos um notório retrogresso social nos últimos cinco-seis anos (sendo os melhores indicativos disso, não os níveis de probreza, que não se alteraram , mas o retrogresso da classe média e 60.000 licenciados desempregados… e muitos outros a engrossar a sociedade do “precariato” , em trabalho quase sempre pouco qualificado. E a estatística, que por vezes parece regressar á era da “estadística” esconde muita coisa…
Bem.... vou deitar o olho ao “embate” Monarquia vs República que espero não se limite a disputas ideológicas entre Opus Dei /Causa Monárquica e Maçonaria republicana. Mas se tal acontecer também não serei apanhado de surpresa.
HAF
9989º Dia
I
07.00-12.30: viagem CP para o Porto a caminho de mais umas provas. Uma boa oportunidade para passar os olhos por Staffan Zetterholm (eds.) , National Cultures & European Integration.
13.00-14.30: um almoço interessante para apreciar as diversas soluções que outras universidades estão a encontrar no desenho dos novos estatutos : a orientação dominante nas principais instituições parece ser no sentido de uma grande flexibilidade dos estatutos no que toca à definição das áreas de conhecimento/ faculdades/ escolas/ etc.. deixando para uma segunda fase uma discussão mais sólida e fundamentada das associações/fusões, etc….)
15.00-17.00: Provas de Agregação.
18.30-20.00: revisão de dossiers de avaliação do MEHE
II: Contratos programa Universidades e MCES.
Ouvi dizer que a UÉ já assinou o contracto programa com o Governo. Deve ser boato pois estou seguro que em tal matéria já teria havido informação à Academia. Não digo que os catedráticos tomassem conhecimento dos cenários possíveis. Isso nem pensar. A coisa deve ficar entre um grupo mais íntimo, de forma a conciliar as “velhas boas práticas” com uma “universidade europeia do século XXI”. E o que me vem á cabela e o Jorge Palma. Seja como for conheço alguém que leu documentos sobre o assunto.
É por isso que gosto do método de trabalho decente e transparente do Reitor da Universidade de Lisboa: pouco espetáculo, poucas tiradas dramáticas para os media, mas assertivo no essencial, reorganizar a universidade não para servir clientelas instaladas mas para aumentar e potenciar a capacidade/qualidade instalada. O homem certo no momento certo. Faz-nos falta.
III: Ainda o protesto dos docentes e a “Avaliação dos professores”
Sobre a questão “quente” da avaliação dos professores só numa comunidade de políticos incompetentes se pode deixar de ter em conta o que sobre o assunto escreveu ontem, no Público, António Barreto (Retrato da Semana, 9.03.2008) . Conhecedor profundo do país não tem grandes dúvidas sobre o resultado: “ o sistema de avaliação é a dissolução da autoridade e da hierarquia, assim como um obstáculo ao trabalho em equipa e ao diálogo entre os profissionais. É um programa de desumanização da escola e da profissão docente. Este sistema burocrático é incapaz de avaliara qualidade das pessoas e de perceber o que os professores realmente fazem. É uma cortina de fundo atrás da qual se escondem burocratas e covardes, incapazes de criticar e eelogiar cara a cara um profissional.” Acrescenta ainda que proposta apresentada pelo ME não é uma invenção mas uma cópia recriada… e tem razão. Mas não o sigo na visão de que em si a avaliação é má, porque em muitos paises (onde funcionam padrões de ética politica e profissional muito elevados) estas coisas funcionam com dignidade. Na minha carreira universitária a progressão implicou 6 provas (duas em concurso público) : nelas fui sempre avaliado por colegas com graus académicos e posições universitárias superiores à minha. Não vejo que isso não possa fazer-se noutros níveis do sistema educativo. O que não pode fazer-se é com os professores titulares actuais uma vez que a sua “seleção” foi uma transparente batota, como é sabido.
Hoje não li os jornais mas tive oportunidade de ouvir um militante do PS no seu programa semanal de comentário político. O Dr. António Vitorino tem todo o direito de fazer os comentários que entender . O que me parece ilegítimo e irresponsável é querer fazer passar a ideia de que os professores não querem é ser avaliados. E isso é rotundamente falso. Talvez o comentador tenha dificuldade em perceber que uma avaliação não deve ser “burocrática” . Ela deve fazer-se com transparência profissional, deve impedir que se transforme num pólo de conflito interno para cada uma das escolas (por isso a necessidade de painéis de avaliação de professores inter-escolas), os critérios devem ser harmonizados ( e não como os do concurso de titulares que proporcionou um padrão de desigualdade de critérios díficil de superar) e os membros do júri devem ter qualificações académicas e profissionais acima dos avaliados. Além disso, a avaliação deve fazer-se conhecendo os avaliados com antecipação as regras do jogo. Finalmente , para ser assertiva, todos os agentes do sistema educativo ( políticos, delegados políticos, gestores, quadros intermédios, professores, e progenitores….) devem ser avaliados.
São aliás estes os critérios que defendo para a avaliação do desempenho dos docentes universitários. Um director/presidente de um departamento /Conselho Cientifico7 esocla , faculdade (etc…) pode ter muitas responsabilidades nos resultados dos docentes que integram a unidade .
É claro que colocar a avaliação dos professores no contexto institucional em que a sua acção se concretiza, relativiza muito o seu desempenho e tranfere/reparte uma parte expressiva das responsabilidades para outros actores. Nós sabemos que o ME é insensível a estas matérias e por isso a regular judicialização da sua relação com os professores, funcionários e alunos (a questão da repetição dos exames apenas para uns é uma daquelas coisas que só é aceitável num país contaminado pela cultura da batota).
Por razões circunstanciais há quase vinte anos que passo regularmente junto de uma escola pública na zona do Barreiro/Lavradio. Um horror. Só. Há quase vinte anos. Porque os politicos de facto não são nem avaliados nem responsabilizados, apenas penalisados pelo voto. E isso é muito pouco e pouco mexe com a sua vida , o seu futuro e o futuro dos seus descendentes. Os politicos tem que começar a interiorizar que as pessoas estão a perder a paciência e as coisas podem complicar-se.
E já perceberam que em Portugal o pior que pode acontecer ao país, em “Democracia” é a maioria absoluta partidária. Nenhuma delas foi bem sucedida pela incapacidade democratica dos seus politicos gerarem soluções consensuais (entre os partidos e com a sociedade). E quando olham para a Espanha, que voltou a descolar expressivamente em relação a Portugal , verificam que quer o PP quer o PSOE com uma maioria relativa tem sido globalmente bem sucedidos a acrescentar progresso e bem estar em beneficio dos seus cidadãos. E entre nós, apesar dos enormes recursos solidários proporcionados pela UE, temos um notório retrogresso social nos últimos cinco-seis anos (sendo os melhores indicativos disso, não os níveis de probreza, que não se alteraram , mas o retrogresso da classe média e 60.000 licenciados desempregados… e muitos outros a engrossar a sociedade do “precariato” , em trabalho quase sempre pouco qualificado. E a estatística, que por vezes parece regressar á era da “estadística” esconde muita coisa…
Bem.... vou deitar o olho ao “embate” Monarquia vs República que espero não se limite a disputas ideológicas entre Opus Dei /Causa Monárquica e Maçonaria republicana. Mas se tal acontecer também não serei apanhado de surpresa.
HAF
07.00-12.30: viagem CP para o Porto a caminho de mais umas provas. Uma boa oportunidade para passar os olhos por Staffan Zetterholm (eds.) , National Cultures & European Integration.
13.00-14.30: um almoço interessante para apreciar as diversas soluções que outras universidades estão a encontrar no desenho dos novos estatutos : a orientação dominante nas principais instituições parece ser no sentido de uma grande flexibilidade dos estatutos no que toca à definição das áreas de conhecimento/ faculdades/ escolas/ etc.. deixando para uma segunda fase uma discussão mais sólida e fundamentada das associações/fusões, etc….)
15.00-17.00: Provas de Agregação.
18.30-20.00: revisão de dossiers de avaliação do MEHE
II: Contratos programa Universidades e MCES.
Ouvi dizer que a UÉ já assinou o contracto programa com o Governo. Deve ser boato pois estou seguro que em tal matéria já teria havido informação à Academia. Não digo que os catedráticos tomassem conhecimento dos cenários possíveis. Isso nem pensar. A coisa deve ficar entre um grupo mais íntimo, de forma a conciliar as “velhas boas práticas” com uma “universidade europeia do século XXI”. E o que me vem á cabela e o Jorge Palma. Seja como for conheço alguém que leu documentos sobre o assunto.
É por isso que gosto do método de trabalho decente e transparente do Reitor da Universidade de Lisboa: pouco espetáculo, poucas tiradas dramáticas para os media, mas assertivo no essencial, reorganizar a universidade não para servir clientelas instaladas mas para aumentar e potenciar a capacidade/qualidade instalada. O homem certo no momento certo. Faz-nos falta.
III: Ainda o protesto dos docentes e a “Avaliação dos professores”
Sobre a questão “quente” da avaliação dos professores só numa comunidade de políticos incompetentes se pode deixar de ter em conta o que sobre o assunto escreveu ontem, no Público, António Barreto (Retrato da Semana, 9.03.2008) . Conhecedor profundo do país não tem grandes dúvidas sobre o resultado: “ o sistema de avaliação é a dissolução da autoridade e da hierarquia, assim como um obstáculo ao trabalho em equipa e ao diálogo entre os profissionais. É um programa de desumanização da escola e da profissão docente. Este sistema burocrático é incapaz de avaliara qualidade das pessoas e de perceber o que os professores realmente fazem. É uma cortina de fundo atrás da qual se escondem burocratas e covardes, incapazes de criticar e eelogiar cara a cara um profissional.” Acrescenta ainda que proposta apresentada pelo ME não é uma invenção mas uma cópia recriada… e tem razão. Mas não o sigo na visão de que em si a avaliação é má, porque em muitos paises (onde funcionam padrões de ética politica e profissional muito elevados) estas coisas funcionam com dignidade. Na minha carreira universitária a progressão implicou 6 provas (duas em concurso público) : nelas fui sempre avaliado por colegas com graus académicos e posições universitárias superiores à minha. Não vejo que isso não possa fazer-se noutros níveis do sistema educativo. O que não pode fazer-se é com os professores titulares actuais uma vez que a sua “seleção” foi uma transparente batota, como é sabido.
Hoje não li os jornais mas tive oportunidade de ouvir um militante do PS no seu programa semanal de comentário político. O Dr. António Vitorino tem todo o direito de fazer os comentários que entender . O que me parece ilegítimo e irresponsável é querer fazer passar a ideia de que os professores não querem é ser avaliados. E isso é rotundamente falso. Talvez o comentador tenha dificuldade em perceber que uma avaliação não deve ser “burocrática” . Ela deve fazer-se com transparência profissional, deve impedir que se transforme num pólo de conflito interno para cada uma das escolas (por isso a necessidade de painéis de avaliação de professores inter-escolas), os critérios devem ser harmonizados ( e não como os do concurso de titulares que proporcionou um padrão de desigualdade de critérios díficil de superar) e os membros do júri devem ter qualificações académicas e profissionais acima dos avaliados. Além disso, a avaliação deve fazer-se conhecendo os avaliados com antecipação as regras do jogo. Finalmente , para ser assertiva, todos os agentes do sistema educativo ( políticos, delegados políticos, gestores, quadros intermédios, professores, e progenitores….) devem ser avaliados.
São aliás estes os critérios que defendo para a avaliação do desempenho dos docentes universitários. Um director/presidente de um departamento /Conselho Cientifico7 esocla , faculdade (etc…) pode ter muitas responsabilidades nos resultados dos docentes que integram a unidade .
É claro que colocar a avaliação dos professores no contexto institucional em que a sua acção se concretiza, relativiza muito o seu desempenho e tranfere/reparte uma parte expressiva das responsabilidades para outros actores. Nós sabemos que o ME é insensível a estas matérias e por isso a regular judicialização da sua relação com os professores, funcionários e alunos (a questão da repetição dos exames apenas para uns é uma daquelas coisas que só é aceitável num país contaminado pela cultura da batota).
Por razões circunstanciais há quase vinte anos que passo regularmente junto de uma escola pública na zona do Barreiro/Lavradio. Um horror. Só. Há quase vinte anos. Porque os politicos de facto não são nem avaliados nem responsabilizados, apenas penalisados pelo voto. E isso é muito pouco e pouco mexe com a sua vida , o seu futuro e o futuro dos seus descendentes. Os politicos tem que começar a interiorizar que as pessoas estão a perder a paciência e as coisas podem complicar-se.
E já perceberam que em Portugal o pior que pode acontecer ao país, em “Democracia” é a maioria absoluta partidária. Nenhuma delas foi bem sucedida pela incapacidade democratica dos seus politicos gerarem soluções consensuais (entre os partidos e com a sociedade). E quando olham para a Espanha, que voltou a descolar expressivamente em relação a Portugal , verificam que quer o PP quer o PSOE com uma maioria relativa tem sido globalmente bem sucedidos a acrescentar progresso e bem estar em beneficio dos seus cidadãos. E entre nós, apesar dos enormes recursos solidários proporcionados pela UE, temos um notório retrogresso social nos últimos cinco-seis anos (sendo os melhores indicativos disso, não os níveis de probreza, que não se alteraram , mas o retrogresso da classe média e 60.000 licenciados desempregados… e muitos outros a engrossar a sociedade do “precariato” , em trabalho quase sempre pouco qualificado. E a estatística, que por vezes parece regressar á era da “estadística” esconde muita coisa…
Bem.... vou deitar o olho ao “embate” Monarquia vs República que espero não se limite a disputas ideológicas entre Opus Dei /Causa Monárquica e Maçonaria republicana. Mas se tal acontecer também não serei apanhado de surpresa.
HAF
domingo, março 9
9988º Dia
I
Um dia à volta de uma agregação, duas cátedras e uma mala de viagem.
II
Ontem a “Escola Pública na rua” enfrentou a amargurada arrogância do Poder de Maioria Absoluta na mais importante manifestação “profissional” da História Portuguesa (e de dimensões raras na Europa)

[Fotos da Lusa e de Vera Moutinho]
Por detrás destas fotografias estiveram 70% dos professores do Ensino Público (não superior) do país (143.000). Muitos mais ficaram nas suas aldeias, vilas e cidades porque esgotou-se o parque de aluguer de autocarros. É apenas insultuoso considerar “mal informados” (desconhecimento) um dos sectores profissionais mais qualificados do país.
Parece sensato considerar ter chegado ao limite a oportunidade da Srª Ministra da Educação ter sido um exemplo de competência técnica e política na operacionalização de uma indispensável reforma educativa. A senhora não foi capaz de fazer com sensatez um trabalho difícil. Fez o mais fácil: TENTAR REFORMAR SEM CONCERTAÇÃO, SEM TRANSPARÊNCIA E CONTRA AS PESSOAS. A partir de agora, com ela no Governo, o país está a perder tempo, dinheiro e qualificação. A perder muito tempo e muito dinheiro e, o pior de tudo, a tramar o futuro de muitos jovens. A SRª MINISTRA DEVERIA EVITAR DEIXAR O PAÍS HERDEIRO DESTE CONTRIBUTO E LIBERTO DE UMA MEMÓRIA TÃO NEGATIVA. Os Sindicatos (e não gostei de tudo o que vi) e os Professores devem ponderar a forma como fazer a transição da rua para um patamar mais criativo (sem becos). Vi hoje alguns sinais deste risco. Estou convicto que Mário Nogueira, o SG da FRENPROF, que soube ser o homem certo que estando no lugar certo criou o “momento certo” não se deixará deslumbrar e saberá sair da rua no momento certo. O país ficará melhor. Os próximos dias serão decisivos….
O Governo não deve dar importância nenhuma às considerações do impagável SEE Valter Lemos sobre o fim do sindicalismo (uma das marcas dos ditos peritos em Eduquês é a ignorância do contexto) mas pensar no extraodinário significado da declaração de uma das professoras que esteve entre centena de milhar de manifestantes: «Mais do que fazer aquilo que me dizem os sindicatos, faço o que quero fazer por mim». [Paula Cristina Fernandes, professora de inglês na Escola dos Marrazes, em Leiria]. Cá por casa, a pessoa mais envolvida na matéria deixou este breve comentário: “ ontem recuperei o orgulho de ser professora “.
Uma nota final para a extraordinária reacção do dr. Augusto Santos Silva , típico ministro do lado triste do regime (estava a ver se me lembrava de algo útil e duradouro que ele como ministro de tantas coisas nos tivesse legado ….).
HAF
Um dia à volta de uma agregação, duas cátedras e uma mala de viagem.
II
Ontem a “Escola Pública na rua” enfrentou a amargurada arrogância do Poder de Maioria Absoluta na mais importante manifestação “profissional” da História Portuguesa (e de dimensões raras na Europa)
[Fotos da Lusa e de Vera Moutinho]
Por detrás destas fotografias estiveram 70% dos professores do Ensino Público (não superior) do país (143.000). Muitos mais ficaram nas suas aldeias, vilas e cidades porque esgotou-se o parque de aluguer de autocarros. É apenas insultuoso considerar “mal informados” (desconhecimento) um dos sectores profissionais mais qualificados do país.
Parece sensato considerar ter chegado ao limite a oportunidade da Srª Ministra da Educação ter sido um exemplo de competência técnica e política na operacionalização de uma indispensável reforma educativa. A senhora não foi capaz de fazer com sensatez um trabalho difícil. Fez o mais fácil: TENTAR REFORMAR SEM CONCERTAÇÃO, SEM TRANSPARÊNCIA E CONTRA AS PESSOAS. A partir de agora, com ela no Governo, o país está a perder tempo, dinheiro e qualificação. A perder muito tempo e muito dinheiro e, o pior de tudo, a tramar o futuro de muitos jovens. A SRª MINISTRA DEVERIA EVITAR DEIXAR O PAÍS HERDEIRO DESTE CONTRIBUTO E LIBERTO DE UMA MEMÓRIA TÃO NEGATIVA. Os Sindicatos (e não gostei de tudo o que vi) e os Professores devem ponderar a forma como fazer a transição da rua para um patamar mais criativo (sem becos). Vi hoje alguns sinais deste risco. Estou convicto que Mário Nogueira, o SG da FRENPROF, que soube ser o homem certo que estando no lugar certo criou o “momento certo” não se deixará deslumbrar e saberá sair da rua no momento certo. O país ficará melhor. Os próximos dias serão decisivos….
O Governo não deve dar importância nenhuma às considerações do impagável SEE Valter Lemos sobre o fim do sindicalismo (uma das marcas dos ditos peritos em Eduquês é a ignorância do contexto) mas pensar no extraodinário significado da declaração de uma das professoras que esteve entre centena de milhar de manifestantes: «Mais do que fazer aquilo que me dizem os sindicatos, faço o que quero fazer por mim». [Paula Cristina Fernandes, professora de inglês na Escola dos Marrazes, em Leiria]. Cá por casa, a pessoa mais envolvida na matéria deixou este breve comentário: “ ontem recuperei o orgulho de ser professora “.
Uma nota final para a extraordinária reacção do dr. Augusto Santos Silva , típico ministro do lado triste do regime (estava a ver se me lembrava de algo útil e duradouro que ele como ministro de tantas coisas nos tivesse legado ….).
HAF
sábado, março 8
9987º Dia
I
9.00:12..30

14.00-20.00: preparação da discussão de um relatório em provas de agregação
II: Um "momento extraordinário " na História da Educação e dos Professores Portugueses.
Estou com a “Marcha da Indignação” pela “boa” reforma educativa: pela promoção/ hierarquia dos professores sem uma escandalosa batota (como foi o concurso para os titulares);pela avaliação transparente; pela reforma dos conteúdos e dos métodos de trabalho. E estou, como muitos, farto de políticos incompetentes (os que não conseguem reformar sem fracturas evitáveis). Dos que estão no governo e daqueles que estão em posições de topo de empresas e instituições públicas e privadas. Como há uma regular dança de cadeiras entre as posições públicas, privadas e governativas tenho reservas em relação à proposta de uma ex-pormuitopoucotempo-ministro segundo a qual uma melhoria substancial dos salários aumentaria a imunidade e insensibilidade dos politicos à troca de favores (ver Público ontem). Primeiro é preciso afastar o velho e monstruoso “mandarinato” que o “centrão” criou nas últimas décadas.
Apenas uma nota sobre a avaliação. Como noutras instituições educativas ela deve ser transparente, de preferência por júris não restritos a uma escola, e deve compreender os professores e todos os agentes educativos, incluindo os dirigentes das escolas e os burocráticas regionais e centrais de confiança política, e os representantes dos pais; ela deve ainda incidir sobre o "centro" do Ministério da Educação.
III
Só hoje reparei, ao arrumar os diários, que no sábado passado o Público incluira uma reação do Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Públicas ao «Relatório. A Procura de emprego dos diplomados com habilitação superior” [Fevereiro 2008], elaborado pelo GPEARI do MCTES e disponível no seu “site”, juntamente com os dados em excel e relatório e dados do semestre anterior). Comentei-o neste Diário (nº 9975). O Reitor da Universidade de Coimbra realça os “erros pontuais” e a pouca fiabilidade dos dados. E tem toda a razão.
IV
No final da noite passada ainda estive à janela a ver passar o “Expresso da Meia-Noite” (SIC) conduzido por Nicolau Santos e Ricardo Costa. Quando cheguei à janela já o combóio ia quase a meio da discussão sobre a "marcha da indignação" dos professores a favor da Educação, e de uma boa reforma educativa. Entre os panelistas a"arrogância era directamente proporcional à ignorância". A Helena Matos, a Maria Flôr e o Mário Bettencourt Resende tiveram a humildade e decência de realçar a complexidade do problema (nos planos tecnico-educativo, profissional e político) e os erros estratégicos da ministra e do governo. Os pivots estiveram entre a graçola e a quase absoluta ignorância. O senhor do “Expresso” fez o que foi capaz (pouco) , andou quase sempre ao lado da questão em debate e quando nela quis entrar foi com a perigrina ideia dos exames aos professores (a drivelling idiot idea is born….). De útil ficou a leitura da Maria Flôr: as experiências de maioria absoluta em Portugal (PSD ou PS) ajudaram quase nada o país a mudar os seus traços estruturais e isto por uma manifesta incapacidade dos politicos , mais afoitos ao uso da enraizada cultura do facilitismo autoritário (serôdia e parola nos tempos que correm) do que a colocar a inteligência ao serviço da negociação.
HAF
9.00:12..30
14.00-20.00: preparação da discussão de um relatório em provas de agregação
II: Um "momento extraordinário " na História da Educação e dos Professores Portugueses.
Estou com a “Marcha da Indignação” pela “boa” reforma educativa: pela promoção/ hierarquia dos professores sem uma escandalosa batota (como foi o concurso para os titulares);pela avaliação transparente; pela reforma dos conteúdos e dos métodos de trabalho. E estou, como muitos, farto de políticos incompetentes (os que não conseguem reformar sem fracturas evitáveis). Dos que estão no governo e daqueles que estão em posições de topo de empresas e instituições públicas e privadas. Como há uma regular dança de cadeiras entre as posições públicas, privadas e governativas tenho reservas em relação à proposta de uma ex-pormuitopoucotempo-ministro segundo a qual uma melhoria substancial dos salários aumentaria a imunidade e insensibilidade dos politicos à troca de favores (ver Público ontem). Primeiro é preciso afastar o velho e monstruoso “mandarinato” que o “centrão” criou nas últimas décadas.
Apenas uma nota sobre a avaliação. Como noutras instituições educativas ela deve ser transparente, de preferência por júris não restritos a uma escola, e deve compreender os professores e todos os agentes educativos, incluindo os dirigentes das escolas e os burocráticas regionais e centrais de confiança política, e os representantes dos pais; ela deve ainda incidir sobre o "centro" do Ministério da Educação.
III
Só hoje reparei, ao arrumar os diários, que no sábado passado o Público incluira uma reação do Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Públicas ao «Relatório. A Procura de emprego dos diplomados com habilitação superior” [Fevereiro 2008], elaborado pelo GPEARI do MCTES e disponível no seu “site”, juntamente com os dados em excel e relatório e dados do semestre anterior). Comentei-o neste Diário (nº 9975). O Reitor da Universidade de Coimbra realça os “erros pontuais” e a pouca fiabilidade dos dados. E tem toda a razão.
IV
No final da noite passada ainda estive à janela a ver passar o “Expresso da Meia-Noite” (SIC) conduzido por Nicolau Santos e Ricardo Costa. Quando cheguei à janela já o combóio ia quase a meio da discussão sobre a "marcha da indignação" dos professores a favor da Educação, e de uma boa reforma educativa. Entre os panelistas a"arrogância era directamente proporcional à ignorância". A Helena Matos, a Maria Flôr e o Mário Bettencourt Resende tiveram a humildade e decência de realçar a complexidade do problema (nos planos tecnico-educativo, profissional e político) e os erros estratégicos da ministra e do governo. Os pivots estiveram entre a graçola e a quase absoluta ignorância. O senhor do “Expresso” fez o que foi capaz (pouco) , andou quase sempre ao lado da questão em debate e quando nela quis entrar foi com a perigrina ideia dos exames aos professores (a drivelling idiot idea is born….). De útil ficou a leitura da Maria Flôr: as experiências de maioria absoluta em Portugal (PSD ou PS) ajudaram quase nada o país a mudar os seus traços estruturais e isto por uma manifesta incapacidade dos politicos , mais afoitos ao uso da enraizada cultura do facilitismo autoritário (serôdia e parola nos tempos que correm) do que a colocar a inteligência ao serviço da negociação.
HAF
sexta-feira, março 7
9986º Dia
I
09.00-11.30: Relatório de Agregação
11.00-13.00: Júri Prémio ENEH 08
14.30-18.00: Preparação de comunicação: Novos Paradigmas Historiográficos, a escrita da História da Europa, a formação de historiadores profissionais e as condições para oportunidades de trabalho num mercado global. (ENEH 08)
II
Amanhã estarei com a Manifestação da Indignação, pela Educação, pela Avaliação dos Professores, pela Transparência e contra o Portugal da Batota, o do amiguismo, e do dobra-espinhismo, e o da incompetência política.
HAF
09.00-11.30: Relatório de Agregação
11.00-13.00: Júri Prémio ENEH 08
14.30-18.00: Preparação de comunicação: Novos Paradigmas Historiográficos, a escrita da História da Europa, a formação de historiadores profissionais e as condições para oportunidades de trabalho num mercado global. (ENEH 08)
II
Amanhã estarei com a Manifestação da Indignação, pela Educação, pela Avaliação dos Professores, pela Transparência e contra o Portugal da Batota, o do amiguismo, e do dobra-espinhismo, e o da incompetência política.
HAF
quinta-feira, março 6
9985º Dia
I
10.00-12.00: leitura textos Candidatos ao Prémio ENEH
12..00-13.00: preparação textos HCTN-DTese
14.30-16.15: Leituras paper ao ENEH
16.30-17.30: burocracia MEHE
17.30-20.30: Seminário HCTN-Dtese
II
Morreu Joel Serrão, um Historiador “hermenêutico”. Ouvi-o numa notícia breve de rádio. Não sei se não faço parte da última geração que leu tudo o que ele publicou sobre a história nacional. Dele me distanciaram as minhas investigações em alguns campos . Mas se houve literatura histórica profissional que me estimulou foi a deste historiador, muitas vezes ensaísta, com com cruzei apenas duas ou três vezes na minha carreira. Para os incautos deixou entre outras uma obra grande, planeada a partir de um outro projecto desenhado no final dos anos 1950s, e organizada e dirigida nos anos 1960: O Dicionário de História de Portugal, que obedeceu a um desenho moderno na escrita da história nacional e abriu o caminho ao que outros chamaram a “Era de Caim” e do “Diabo à Solta”: os estudos históricos nacionais sobre os Séculos XIX e XX. Sendo nós tributários disso, dele herdamos um grande legado que deve ser lido como os grandes historiadores, os pioneiros, merecem: com sentido crítico. É melhor homenagem que os historidadores profissionais podem prestar-lhe.
HAF
10.00-12.00: leitura textos Candidatos ao Prémio ENEH
12..00-13.00: preparação textos HCTN-DTese
14.30-16.15: Leituras paper ao ENEH
16.30-17.30: burocracia MEHE
17.30-20.30: Seminário HCTN-Dtese
II
Morreu Joel Serrão, um Historiador “hermenêutico”. Ouvi-o numa notícia breve de rádio. Não sei se não faço parte da última geração que leu tudo o que ele publicou sobre a história nacional. Dele me distanciaram as minhas investigações em alguns campos . Mas se houve literatura histórica profissional que me estimulou foi a deste historiador, muitas vezes ensaísta, com com cruzei apenas duas ou três vezes na minha carreira. Para os incautos deixou entre outras uma obra grande, planeada a partir de um outro projecto desenhado no final dos anos 1950s, e organizada e dirigida nos anos 1960: O Dicionário de História de Portugal, que obedeceu a um desenho moderno na escrita da história nacional e abriu o caminho ao que outros chamaram a “Era de Caim” e do “Diabo à Solta”: os estudos históricos nacionais sobre os Séculos XIX e XX. Sendo nós tributários disso, dele herdamos um grande legado que deve ser lido como os grandes historiadores, os pioneiros, merecem: com sentido crítico. É melhor homenagem que os historidadores profissionais podem prestar-lhe.
HAF
Subscrever:
Mensagens (Atom)