I
8.30-15.00: Preparação de seminários do MEHE
15.00-17.00: Reunião com o corpo docente do MEHE (2º semestre, avaliação e articulação de programas e modelos de avalição; preparação da sessão de abertura do 2º semestre )
17.30- 19.30: Sessão de abertura MEHE.
22.00: leitura de relatório de provas de agregação (lição)
II- Literatura e Educação
Anunciada a morte de Maria Gabriela Llansol, a “escritora quase secreta” , pelo menos para mim e apesar do prémio APE 2006. Pelo que entretanto li, tomo consciência não só do que tenho perdido mas dos meus limites.
Acho que muitos portugueses e professsores subscrevem o editorial ontem assinado pelo José Manuel Fernandes (com quem quase sempre discordo em matéria de Educação), pelo menos quando escreve: “A forma como a ministra Maria de Lurdes Rodrigues começou bem, cheia de intenções correctas, e depois passou a cometer erros mortais derivados da obsessão de tudo controlar e de nunca ceder, mesmo quando o elementar bom senso recomendava que o fizesse, é um “case study” de desperdício de capital político. Mas pior ainda é a maneira como procurou passar a mensagem de que tinha o apoio dos pais contra os profissionais » (e no essencial prossegue narrando o triste episódio da Confederação dos Pais e de Gondomar..). De facto não é fácil fazer pior.
Uma nota apenas sobre a crónica de Vital Moreira no mesmo jornal: “Os prfessores. Não há reformas absolutamente consensuais , pois quase todas afectam interesses de grupo”. Uma reflexão legítima mas enraizada no velho ou novo autoritarismo de que o país não necessita. A tese é disparatada porque ninguém pensa que em democracia haja consensos absolutos. Mas pode haver e na história das democracias da Europa do pós-IIGM são milhentos os exemplos de que é possível um máximo consenso comum entre os politicos e a sociedade. O académico tem dado mostras de que descolou definitivamente do país e a sua afeição partidária, comovedora, obliterou alguém que em tempos era capaz de ajudar a identificar e solucionar problemas .
Sobre a possibilidade de consenso , acho que é dificílimo haver retorno na fractura equipa ministerial – professores. Prevejo mesmo que as coisas se venham a complicar. Mas não sou ainda totalmente céptico à possibilidade de “vigorosos” mediadores ajudaram no essencial: evitar mais um fracasso.
Do ponto de vista da ministra o resultado (bom ou mau) não tem qualquer relevância. Continuará a sua vida prosperamente. Mas do ponto de vista do país tem, pois , além dos recursos desperdiçados, necessitamos urgentemente de uma “boa reforma” educativa (sistema, infra-estrutura, organização , massa crítica, conteúdos, etc.) .
A grande lição que tiro disto é ser este país , em regra, mal governado tanto com autoritarismos ilegítmos como com maiorias absolutas democraticas. Coisas da “cultura”, algo como um bacilo que em Portugal passa das velhas para as novas elites políicas. Não me surpreende que algo venha a ocorrer no Ensino Superior: o “caldo” é o mesmo.
HAF
Editorial
Um amigo muito estimado tem uma “FlorBela” , a poetisa, sentada à janela do mundo. A peça é de Pedro Fazenda e hoje permite à poetisa, a partir da Quinta de Santa Rita, um olhar eterno sobre o lado este da cidade de Évora. Todavia ela nem sempre esteve ali. Conheci-a na cidade, no Pátio de S. Miguel , quase debruçada sobre o velho Colégio Espírito Santo (actual “centro” da Universidade de Évora) e com um horizonte que dos “coutos “ orientais da cidade se prolongava, nos dias verdadeiramente transparentes , até Évora-Monte . Mas as coisas da vida são como se fazem. Depois de um par de anos vendo o mundo a partir da cidade , e de mais alguns por outras andanças e paragens, Florbela sentou-se definitivamente para observar a cidade. E lá a encontrará nos anos vindouros quem a souber procurar. À janela, de onde a poetisa gostava de apreciar se não o Mundo, pelo menos o Mar (“Da Minha Janela”, 1923).
À janela do mundo me coloco também para observar e comentar as múltiplas cidades que me interessam, os seus actores e instituições. Sem uma agenda definida. Pelo simples prazer de dar palavras a ideias quando tal me apetecer. Um exercício de liberdade e cidadania.
DiáriodeumaCatedraaJanela é um blog de autor, um espaço de opinião aberto a todas as dimensões que se inscrevem na minha identidade . A de um autor com experiência e memória de mais de meio século partilhadas entre África e Europa, Casado (há quase 30 anos), Pai (de três filhos), Livre Pensador, Cidadão (Português e Europeu) , Professor (Catedrático) e Historiador . O Diário passará por tudo isto, mas com o carácter de “conta-corrente”, só mesmo a vida académica, que no momento em que este editorial foi escrito de(le)itava-se em mais uma falsas férias.
Não me coloco ao abrigo de uma atalaia. Pretendo também ser observado, expondo o meu dia a dia profissional. É uma forma de ajudar a superar a miserável (manipulação da ) ignorância do “povo” e proporcionar a possibilidade de contrapôr experiências à retórica e oportunismo mediáticos de muitos observadores e políticos pouco criteriosos. Os cidadãos podem conhecer de perto o que nós (professores universitários com carreira universitária) fazemos pelo país, o modo como o fazemos e o que pensamos sobre o modo como podemos fazer ainda mais e melhor.
A começar a 1 de Setembro. Não por ser o dia dedicado pela Igreja Católica à bela “Santa Beatriz da Silva Menezes, Virgem “ (1490-c 1550). Não por constituir efeméride da invasão da Polónia pela Alemanha (1939), da Conferência de Belgrado (1961) ou da tomada do poder por Muammar al-Qaddafi (1969). Não também pelo comemorativo propósito dos dias do Caixeiro Viajante ou do Professor de Educação Física. Nem sequer por marcar o nascimento de António Lobo Antunes (1942), o autor das extraordinárias “D´este viver aqui neste papel descripto. Cartas da Guerra” (1971-1972) , cuja edição as filhas organizaram (2005) , ou de Allen Weinstein (1937), prestigiado historiador americano e actual “Archivist of the United States “. Nada disso. Também não é por corresponder ao 9802º dia da minha actividade como professor universitário, cujo início data de 30 de Outubro de 1980, quatro meses após a conclusão da licenciatura e uma disputa em concurso público limpinho. Apenas porque me fica mais em conta.
Vamos lá tentar fazer disto um mundo aberto.
Burgau, 15 de Agosto de 2007
Helder Adegar Fonseca (HAF)
À janela do mundo me coloco também para observar e comentar as múltiplas cidades que me interessam, os seus actores e instituições. Sem uma agenda definida. Pelo simples prazer de dar palavras a ideias quando tal me apetecer. Um exercício de liberdade e cidadania.
DiáriodeumaCatedraaJanela é um blog de autor, um espaço de opinião aberto a todas as dimensões que se inscrevem na minha identidade . A de um autor com experiência e memória de mais de meio século partilhadas entre África e Europa, Casado (há quase 30 anos), Pai (de três filhos), Livre Pensador, Cidadão (Português e Europeu) , Professor (Catedrático) e Historiador . O Diário passará por tudo isto, mas com o carácter de “conta-corrente”, só mesmo a vida académica, que no momento em que este editorial foi escrito de(le)itava-se em mais uma falsas férias.
Não me coloco ao abrigo de uma atalaia. Pretendo também ser observado, expondo o meu dia a dia profissional. É uma forma de ajudar a superar a miserável (manipulação da ) ignorância do “povo” e proporcionar a possibilidade de contrapôr experiências à retórica e oportunismo mediáticos de muitos observadores e políticos pouco criteriosos. Os cidadãos podem conhecer de perto o que nós (professores universitários com carreira universitária) fazemos pelo país, o modo como o fazemos e o que pensamos sobre o modo como podemos fazer ainda mais e melhor.
A começar a 1 de Setembro. Não por ser o dia dedicado pela Igreja Católica à bela “Santa Beatriz da Silva Menezes, Virgem “ (1490-c 1550). Não por constituir efeméride da invasão da Polónia pela Alemanha (1939), da Conferência de Belgrado (1961) ou da tomada do poder por Muammar al-Qaddafi (1969). Não também pelo comemorativo propósito dos dias do Caixeiro Viajante ou do Professor de Educação Física. Nem sequer por marcar o nascimento de António Lobo Antunes (1942), o autor das extraordinárias “D´este viver aqui neste papel descripto. Cartas da Guerra” (1971-1972) , cuja edição as filhas organizaram (2005) , ou de Allen Weinstein (1937), prestigiado historiador americano e actual “Archivist of the United States “. Nada disso. Também não é por corresponder ao 9802º dia da minha actividade como professor universitário, cujo início data de 30 de Outubro de 1980, quatro meses após a conclusão da licenciatura e uma disputa em concurso público limpinho. Apenas porque me fica mais em conta.
Vamos lá tentar fazer disto um mundo aberto.
Burgau, 15 de Agosto de 2007
Helder Adegar Fonseca (HAF)
quarta-feira, março 5
terça-feira, março 4
9983º Dia
09.oo-12.00: Documentos de agregações (FLUP/FLUL)
12.00- 14.30: Prep. Aulas
15.30-16.20: Aula HPC II
16.25-17.00: Reunião júri agregação (em video-conferência)
17.15-18.30 : Cont. aula HPC II
18.30-19.13 : Tutoria IIHC
HAF
12.00- 14.30: Prep. Aulas
15.30-16.20: Aula HPC II
16.25-17.00: Reunião júri agregação (em video-conferência)
17.15-18.30 : Cont. aula HPC II
18.30-19.13 : Tutoria IIHC
HAF
segunda-feira, março 3
9982º Dia
I
09.00-11.30 : Leitura de documentos presentes uma prova de agregação (FLUL)
11.30-13.00: Revisão PP da aula HPC.II
14.00-15.30: Aula de HPC II
16.00-17.00: Tutorias
18.00-20.00: revisão papers em discussão na aula HPC II
21.00-22.00: preparação paper III ENEH
22.00- …. Prós e Contras… sobre a educação
II
A Educação de novo nos Prós e Contras. Além da questão “quente” (a ruptura entre os professores e a equipa governativa da Educação), que só é uma surpresa para os peritos em “eduques” e para os ingénuos, o que tem menos interesse é a já recorrente “confusão” da Fátima Campos Pereira. A senhora dificulta o debate. Os convidados estiveram muito bem e apesar das ópticas diferentes com que abordaram o problema em debate foram em geral sérios (e quase desvastadores para o desempenho político da ministra).
É claro que eu também tenho memória dos colégios privados e do liceu que eu frequentei nos anos 60s. Eramos tão poucos alunos. E havia tantos professores… e as coisas ficavam tão dispendiosas às famílias. E era tudo tão perfeito…que nunca necessitou de ser avaliado, nem por alunos, nem por país, nem por professores. Nada. E deles sairam, como hoje saiem, um grupo privilegiado que teve percursos excepcionais, proporcionados por oportunidades excepcionais ou por uma luta titânica.Torna-se invisível a ideia de que a maior parte daquela gente foi de facto mal sucedida, abandonando os estudos precocemente,incluindo alguns com muitíssimo talento e trabalhadores. Conheci alguns deles. Gostava de ter ouvido neste debate sobre a educação testemunhos, que há muitos, dos trajectos educativos de “fracasso relativo”. Há muitos casos e estudos sobre isso.
A democratização do ensino fez-se sem recursos adequados e/ou com recursos mal aplicados. É uma verdade transparente. Mas a FCP aproveitou a deixa da “crise da escola pública “(aquela que democratizou o acesso ao ensino, algo que a escola privada nunca o faria ou fez em qualquer lado) para se agarrar ao triste chavão do falhanço da escola pública. O melhor momento da senhora: «afinal o país do precisa ou não de reformas? Então fecha-se o país? » Mon dieu….
O restante e reduzido número de interlocutores foi mais sério e procurou dar um contributo positivo. Alguns deles mostraram a distinção entre o velho passado escolarf e o que se fez em Portugal nos últimos 30 anos (que foi muito, muito mais do que o EN fez em 50 anos);a dirença entre a reforma necessária e a reforma imposta; entre a “reforma” como caminho único e a “reforma” como algo que se se pode fazer por diversos caminhos; entre fazer “a reforma” e fazer“uma reforma boa”; e, finalmente, como é possível com sensatez, consenso e transparênia mudar bem as coisas. O resto é o facilitismo dos incapazes, poderosos ... mas incapazes.
HAF
09.00-11.30 : Leitura de documentos presentes uma prova de agregação (FLUL)
11.30-13.00: Revisão PP da aula HPC.II
14.00-15.30: Aula de HPC II
16.00-17.00: Tutorias
18.00-20.00: revisão papers em discussão na aula HPC II
21.00-22.00: preparação paper III ENEH
22.00- …. Prós e Contras… sobre a educação
II
A Educação de novo nos Prós e Contras. Além da questão “quente” (a ruptura entre os professores e a equipa governativa da Educação), que só é uma surpresa para os peritos em “eduques” e para os ingénuos, o que tem menos interesse é a já recorrente “confusão” da Fátima Campos Pereira. A senhora dificulta o debate. Os convidados estiveram muito bem e apesar das ópticas diferentes com que abordaram o problema em debate foram em geral sérios (e quase desvastadores para o desempenho político da ministra).
É claro que eu também tenho memória dos colégios privados e do liceu que eu frequentei nos anos 60s. Eramos tão poucos alunos. E havia tantos professores… e as coisas ficavam tão dispendiosas às famílias. E era tudo tão perfeito…que nunca necessitou de ser avaliado, nem por alunos, nem por país, nem por professores. Nada. E deles sairam, como hoje saiem, um grupo privilegiado que teve percursos excepcionais, proporcionados por oportunidades excepcionais ou por uma luta titânica.Torna-se invisível a ideia de que a maior parte daquela gente foi de facto mal sucedida, abandonando os estudos precocemente,incluindo alguns com muitíssimo talento e trabalhadores. Conheci alguns deles. Gostava de ter ouvido neste debate sobre a educação testemunhos, que há muitos, dos trajectos educativos de “fracasso relativo”. Há muitos casos e estudos sobre isso.
A democratização do ensino fez-se sem recursos adequados e/ou com recursos mal aplicados. É uma verdade transparente. Mas a FCP aproveitou a deixa da “crise da escola pública “(aquela que democratizou o acesso ao ensino, algo que a escola privada nunca o faria ou fez em qualquer lado) para se agarrar ao triste chavão do falhanço da escola pública. O melhor momento da senhora: «afinal o país do precisa ou não de reformas? Então fecha-se o país? » Mon dieu….
O restante e reduzido número de interlocutores foi mais sério e procurou dar um contributo positivo. Alguns deles mostraram a distinção entre o velho passado escolarf e o que se fez em Portugal nos últimos 30 anos (que foi muito, muito mais do que o EN fez em 50 anos);a dirença entre a reforma necessária e a reforma imposta; entre a “reforma” como caminho único e a “reforma” como algo que se se pode fazer por diversos caminhos; entre fazer “a reforma” e fazer“uma reforma boa”; e, finalmente, como é possível com sensatez, consenso e transparênia mudar bem as coisas. O resto é o facilitismo dos incapazes, poderosos ... mas incapazes.
HAF
domingo, março 2
9981º Dia
I
Exerci hoje plenamente “The right to be lazy” (1883) consagrado pelo socialista Paul Lafarge (1841/42?-1911) , “franco-cubano”, médico e genro de Marx) - não confundir com o novaiorquino Paul LaFarge, autor do “invisible citizen” (2003) que por sua vez não pode confundido com o “Invisible Man” de H.G. Wells (1866-1946)
II
Por isso deixo apenas um longo extracto da crónica que o Carlos Fiolhais assinou ontem no Público. Deste Catedrártico de Física da Universidade de Coimbra e actual Director da BGUC, que frequentei assiduamente durante cinco anos, sou leitor atentento não dos seus trabalhos da especialidade. Mesmo pela sua “física divertida” (acho que é este o título) apenas passei os olhos…. .. Aqui fica uma parte do “Oportunidades para os Novos?” (Público, 1-03-2008)
“O número alto de desempregados com licenciatura, fruto em larga medida do insuficiente crescimento económico, não nos deve enganar: precisamos ainda de mais licenciados. A nossa proporção de pessoas com formação superior é menos de metade da que existe na Europa desenvolvida. Aliás, o grande drama nacional é a falta de suficiente qualificação dos portugueses, isto é, o desempenho claramente insuficiente do nosso sistema escolar a todos os níveis. Estão equivocados os que preconizam a redução na formação superior por ela não ser hoje garantia de emprego imediato: as pessoas com mais habilitações estão mais bem protegidas do ponto de vista profissional.
Vou ser claro: as universidades, descontadas alguns cursos especiais, não são escolas de formação profissional e o diploma de licenciatura ou de mestrado ou de doutoramento não é uma chave que abra logo a porta de um posto de trabalho. Uma universidade não é uma escola de hotelaria que forma cozinheiros (profissão muito necessária e pela qual tenho a maior admiração a respeito) que vão logo cozinhar para o hotel. Uma universidade é um sítio onde se transmitem conhecimentos ao mais alto nível assim como as atitudes para os receber e criar. A criação de conhecimentos é essencial à sua transmissão. Sem ela transmitir-se-ão conhecimentos em segunda ou terceira mão, requentados, que pouco valem em comparação com conhecimentos novos. É bom que as universidades olhem para a empregabilidade dos seus cursos – deviam olhar mais! – mas essa visão não pode ser única nem míope na organização dos cursos. Um cidadão deve ter a possibilidade de fazer Estudos Clássicos ou Filosofia, mesmo que, olhando para o mercado de trabalho, veja que os especialistas em grego e em epistemologia não têm pleno emprego nas respectivas áreas.
Outro equívoco frequente neste contexto é o das “habilitações a mais”. Muitos empregadores recusam candidatos por estes terem “habilitações a mais”. Ora a expressão vai entre aspas porque não sei o que são habilitações a mais. Acho que as habilitações nunca são a mais. Se uma pessoa estudou mais, o saber que tem a mais em nada a pode diminuir. A questão deve ser outra: se a pessoa é ou não capaz de desempenhar bem as funções em causa. (….)
Cada desempregado é, bem sei, um drama pessoal. E é um drama social, pois a formação que teve não está a ser aproveitada. Há, entre nós, um problema dramático com recém-licenciados em busca de prometidas oportunidades, em particular ao fim de certos cursos. O relatório acima mencionado é esclarecedor sobre o desemprego nalguns cursos de papel e lápis (Psicologia, Serviço Social, Direito e Economia estão no topo dos cursos que fornecem mais desempregados, embora também haja cursos de outro tipo como Enfermagem e Design). Alguns desses jovens terão de procurar e estar preparados para aceitar empregos noutras áreas. Por outro lado, as respectivas escolas terão de fazer todas as adaptações que se revelem necessárias. Mas há outras responsabilidades, bem maiores que as das escolas. Houve alguém que prometeu 150 000 novos postos de trabalho. Quem foi? »
A versão integral deste texto pode ainda ler-se no Blog “De Rerum Natura”, um blogue em sete mãos incluindo a de Fiolhais.
HAF
Exerci hoje plenamente “The right to be lazy” (1883) consagrado pelo socialista Paul Lafarge (1841/42?-1911) , “franco-cubano”, médico e genro de Marx) - não confundir com o novaiorquino Paul LaFarge, autor do “invisible citizen” (2003) que por sua vez não pode confundido com o “Invisible Man” de H.G. Wells (1866-1946)
II
Por isso deixo apenas um longo extracto da crónica que o Carlos Fiolhais assinou ontem no Público. Deste Catedrártico de Física da Universidade de Coimbra e actual Director da BGUC, que frequentei assiduamente durante cinco anos, sou leitor atentento não dos seus trabalhos da especialidade. Mesmo pela sua “física divertida” (acho que é este o título) apenas passei os olhos…. .. Aqui fica uma parte do “Oportunidades para os Novos?” (Público, 1-03-2008)
“O número alto de desempregados com licenciatura, fruto em larga medida do insuficiente crescimento económico, não nos deve enganar: precisamos ainda de mais licenciados. A nossa proporção de pessoas com formação superior é menos de metade da que existe na Europa desenvolvida. Aliás, o grande drama nacional é a falta de suficiente qualificação dos portugueses, isto é, o desempenho claramente insuficiente do nosso sistema escolar a todos os níveis. Estão equivocados os que preconizam a redução na formação superior por ela não ser hoje garantia de emprego imediato: as pessoas com mais habilitações estão mais bem protegidas do ponto de vista profissional.
Vou ser claro: as universidades, descontadas alguns cursos especiais, não são escolas de formação profissional e o diploma de licenciatura ou de mestrado ou de doutoramento não é uma chave que abra logo a porta de um posto de trabalho. Uma universidade não é uma escola de hotelaria que forma cozinheiros (profissão muito necessária e pela qual tenho a maior admiração a respeito) que vão logo cozinhar para o hotel. Uma universidade é um sítio onde se transmitem conhecimentos ao mais alto nível assim como as atitudes para os receber e criar. A criação de conhecimentos é essencial à sua transmissão. Sem ela transmitir-se-ão conhecimentos em segunda ou terceira mão, requentados, que pouco valem em comparação com conhecimentos novos. É bom que as universidades olhem para a empregabilidade dos seus cursos – deviam olhar mais! – mas essa visão não pode ser única nem míope na organização dos cursos. Um cidadão deve ter a possibilidade de fazer Estudos Clássicos ou Filosofia, mesmo que, olhando para o mercado de trabalho, veja que os especialistas em grego e em epistemologia não têm pleno emprego nas respectivas áreas.
Outro equívoco frequente neste contexto é o das “habilitações a mais”. Muitos empregadores recusam candidatos por estes terem “habilitações a mais”. Ora a expressão vai entre aspas porque não sei o que são habilitações a mais. Acho que as habilitações nunca são a mais. Se uma pessoa estudou mais, o saber que tem a mais em nada a pode diminuir. A questão deve ser outra: se a pessoa é ou não capaz de desempenhar bem as funções em causa. (….)
Cada desempregado é, bem sei, um drama pessoal. E é um drama social, pois a formação que teve não está a ser aproveitada. Há, entre nós, um problema dramático com recém-licenciados em busca de prometidas oportunidades, em particular ao fim de certos cursos. O relatório acima mencionado é esclarecedor sobre o desemprego nalguns cursos de papel e lápis (Psicologia, Serviço Social, Direito e Economia estão no topo dos cursos que fornecem mais desempregados, embora também haja cursos de outro tipo como Enfermagem e Design). Alguns desses jovens terão de procurar e estar preparados para aceitar empregos noutras áreas. Por outro lado, as respectivas escolas terão de fazer todas as adaptações que se revelem necessárias. Mas há outras responsabilidades, bem maiores que as das escolas. Houve alguém que prometeu 150 000 novos postos de trabalho. Quem foi? »
A versão integral deste texto pode ainda ler-se no Blog “De Rerum Natura”, um blogue em sete mãos incluindo a de Fiolhais.
HAF
sábado, março 1
9980º Dia
08.20-10.10 : Regresso matinal a casa via CP.
E uma dia para correio, agradecimentos, jornais, etc.etc.
HAF
E uma dia para correio, agradecimentos, jornais, etc.etc.
HAF
9979º Dia
A ESSHC foi também um momento para rever alguns dos velhos amigos e colegas que por lá andaram e conhecer outros. Além da gente da rede (14 anos de contactos) foi excelente rever a minha estimada amiga Kristine Bruland -uma brilhante historiadora das “mudanças tecnológicas e industrialização”, da “difusão internacional da tecnologia” e da “produção e gestão do conhecimento” - que me abriu as portas do mundo académico londrino. A sua mudança da Universidade de Oslo para a Faculté des Sciences Économiques et Sociales (Dept. Histoire Économique) da Université de Géneve foi uma grande surpresa. Nas primeiras versões do Mestrado de EHE foi uma conferencista regular. Na Rede ESTER muits vezes fizemos equipe. Com o Kees Mandemakers já mantinha contactos há uma meia dúzia de anos: um almoço informal colocou-nos lado a lado mas só no fim de uma longa conversa sobre temas de de circunstância que uma mesa grande sempre proporciona, nos reconhecemos. E a partir daí regressamos aos “nossos aasuntos”. Vim de lá bem mais rico do que esperava. Uma pena outras orbigações terem impedido mais tempo um dos maiores e melhores comgressos de História que se organiza na Europa. Não estive na assembleia geral e fiquei sem saber onde se realizará o próximo , em 2010: mas lá marcaremos a nossa presença nas sessões de Mobilidade Social e numa nova sessão que o PG e um colega brasileiro organizarão dedicada às Migrações e Mobilidade Social.
Ainda houve tempor para uma conversa de fim de tarde com o Vitor Pereira (um jovem historiador “franco-português”(?) dedicado ao estudo dos imigrantes e exilados europeus (temos interesses comuns pela frente). A noite acabou com um jantar em casa de uma amiga e com outros amigos (e colegas) de velha data com um longo “debate” sobre a 1ª República, o Estado Novo, os “colegas de estimação”, as tradições universitárias e sobretudo com uma longa conversa sobre projectos concorrentes. Os interesses pessoais não podem sobrepor-se a interesses institucionais.
HAF
9978º Dia
I
Ultimou-se o que era necessário em relação ao ESSHC
II
Mas o dia foi “especial” , como tem sido há já muitos anos e foi no que ele teve de especial para a família que me concentrei. Uma surpresa no final do dia – a visita dos dois “pródigos” - ainda trouxe mais felicidade a quem a merece.
III
Quanto ao resto deve ter sido um dia que não deve ter conhecido novidades de maior. A “crise educativa” e a “crise social” prosseguem o seu generoso rumo, com uma equipa ministerial certamente obcecada com a missão da “grande reforma” não só sem as pessoas mas mesmo contra as pessoas, e as pessoas – essa massa de bloqueio (certamente ingrata, ignorantes, insensível e até mesmo tonta (porque por mais que se explique não percebem) a correr (via sms, mails, etc.) para os braços de perigosos e talentosos comunistas que só querem arrazar o país e evitar o progresso. O mais interessante fenómeno social da últuma década" é a mobilização das “tias” e “tios” ao lado dos radicalismos esquerdistas. Um olho no noticiário da noite ainda deu para perceber que, pelo menos na retórica, ministros e líderes da oposição aproximaram-se da situação de muitos portugueses (calote, caloteiro, etc…) . Eu recomendo desde já a regulamentação pela maioria de uma “manual dos insultos autorizados entre os políticos”.
Entre os mais ingratos estão os professores do ensino público não superior. Todos os dias (na próximo passado, no provável presente e no breve futuro) lá estão eles ao final do dia…em manifestações públicas de protesto contra uma das grandes reformas à portuguesa com algumas , insisto, algumas boas ideias, um plano deficiente e uma má operacionalização. Certamente ficará a meio, deixando tudo pior, muito pior do que estava, até que chegue a nova equipe ministerial com a sua missão no bolso muito bem definidinha: uma reforma do sistema educativo , Não podemos afastar a possibilidade de em breve termos mais reformas educativas desde 1974 do que anos de República Democrática. E são estas particularidades que nos agarram ao atraso enquanto servem de fascínio a qualquer historiador dos particularismos nacionais.
Ao ouvir uma antiga secretária de estado do sector, que também não terá deixado muitas saudades durante a paixão gueterrista pela educação, é provavel que haja uma troca de galhardetes entre os políticos do ramo. Recomendo de novo o “manual de insultos autorizados…..”, ou isto ainda se torna uma sociedade democrática e moderna “normal”, sem este sangue quente que achamos que merecemos.
HAF
Ultimou-se o que era necessário em relação ao ESSHC
II
Mas o dia foi “especial” , como tem sido há já muitos anos e foi no que ele teve de especial para a família que me concentrei. Uma surpresa no final do dia – a visita dos dois “pródigos” - ainda trouxe mais felicidade a quem a merece.
III
Quanto ao resto deve ter sido um dia que não deve ter conhecido novidades de maior. A “crise educativa” e a “crise social” prosseguem o seu generoso rumo, com uma equipa ministerial certamente obcecada com a missão da “grande reforma” não só sem as pessoas mas mesmo contra as pessoas, e as pessoas – essa massa de bloqueio (certamente ingrata, ignorantes, insensível e até mesmo tonta (porque por mais que se explique não percebem) a correr (via sms, mails, etc.) para os braços de perigosos e talentosos comunistas que só querem arrazar o país e evitar o progresso. O mais interessante fenómeno social da últuma década" é a mobilização das “tias” e “tios” ao lado dos radicalismos esquerdistas. Um olho no noticiário da noite ainda deu para perceber que, pelo menos na retórica, ministros e líderes da oposição aproximaram-se da situação de muitos portugueses (calote, caloteiro, etc…) . Eu recomendo desde já a regulamentação pela maioria de uma “manual dos insultos autorizados entre os políticos”.
Entre os mais ingratos estão os professores do ensino público não superior. Todos os dias (na próximo passado, no provável presente e no breve futuro) lá estão eles ao final do dia…em manifestações públicas de protesto contra uma das grandes reformas à portuguesa com algumas , insisto, algumas boas ideias, um plano deficiente e uma má operacionalização. Certamente ficará a meio, deixando tudo pior, muito pior do que estava, até que chegue a nova equipe ministerial com a sua missão no bolso muito bem definidinha: uma reforma do sistema educativo , Não podemos afastar a possibilidade de em breve termos mais reformas educativas desde 1974 do que anos de República Democrática. E são estas particularidades que nos agarram ao atraso enquanto servem de fascínio a qualquer historiador dos particularismos nacionais.
Ao ouvir uma antiga secretária de estado do sector, que também não terá deixado muitas saudades durante a paixão gueterrista pela educação, é provavel que haja uma troca de galhardetes entre os políticos do ramo. Recomendo de novo o “manual de insultos autorizados…..”, ou isto ainda se torna uma sociedade democrática e moderna “normal”, sem este sangue quente que achamos que merecemos.
HAF
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